A onda de assassinatos a tiro que assolou nas últimas semanas o município da Matola, província de Maputo, levanta sérias preocupações em matéria de segurança dos cidadãos, exigindo-se das autoridades medidas eficazes para reverter o triste cenário.
Esta situação fica mais delicada ainda quando estes crimes são cometidos, inclusive, à luz do dia, o que mostra, claramente, que os seus agentes estão à vontade, sem sequer temer serem reconhecidos por quem quer que seja, numa era digital em que se filma quase tudo.
O caso mais recente foi o baleamento mortal, semana passada, numa manhã movimentada, de dois agentes da autoridade, sendo um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM) e outro do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), num acto ocorrido no bairro de Infulene. Semanas antes indivíduos até aqui desconhecidos crivaram de balas um agente da PRM quase à entrada da sua residência, no bairro Nkobe, também na Matola.
Ainda na semana passada, quatro pessoas morreram na Matola “A” aparentemente numa troca de tiros com agentes da Polícia. As autoridades dizem tratar-se de indivíduos com cadastro criminal.
Até podem parecer episódios isolados, mas não deixam de causar preocupação, não apenas porque ocorrem à luz do dia, mas sobretudo porque nem os agentes da Polícia são poupados nesta saga de assassinatos.
Quando aqueles que zelam pela segurança de todos nós, que são os agentes da lei e ordem, são também mortos à queima-roupa, o que dizer, então, do pacato cidadão?
Do nosso ponto de vista, o assassínio de agentes da autoridade afecta não apenas as famílias directas dos malogrados, como também a moral de toda uma corporação que dia e noite trabalha para proteger cada moçambicano.
Significa que nem o cidadão, nem os membros de corporação têm razões para descansarem sossegados devido ao receio de ser atacados a qualquer momento pelos criminosos.
Parecendo que não, a forma como os assassinatos dos agentes da autoridade ocorrem sinaliza que algo vai mal dentro da PRM e do SERNIC, até porque de há uns anos a esta parte assiste-se a uma repetição de crimes desta natureza, indiciando que estas instituições estão infiltradas.
O clima de medo não pode de forma alguma ser normalizado. Cabe a todos nós, como cidadãos, apoiar este esforço colectivo e, com isso, contribuir para o alcance dos melhores níveis de segurança, pressuposto essencial para a atracção do investimento e para o desenvolvimento do país.
É igualmente responsabilidade colectiva não permitir que o medo se torne regra. Que a morte dos agentes tombados sirva de estímulo para os membros da corporação continuarem com o combate e fazerem de tudo para que não sejam cooptados pelo mundo do crime organizado, sob pena de comprometer os objectivos do Estado, que incluem a segurança das pessoas.
Mais do que isso, o sector da Justiça deve fazer a sua parte, trabalhando para o rápido esclarecimento dos crimes e consequente responsabilização dos seus mentores, como forma de desencorajar este tipo de actos, a todos os títulos reprováveis.


