Com um misto de tristeza e revolta, acompanhei o caso dos 4 menores de idade, alunos da Escola Básica KM 15 que embriagaram, violaram, filmaram e postaram a sua colega de escola. Mesmo sendo psicóloga e sabendo das virtudes e perversidades do ser humano, sempre que casos do género acontecem não há como não haver comoção e até vontade de fazer justiça com as próprias mãos.
Este caso levantou muito debate nos médias e redes sociais, mas à medida que os dias correrem vão surgindo outros problemas que fazem com que, paulatinamente esqueçamos o ocorrido. Mas este tal como outros casos não devia morrer por si só, é tempo de pensarmos em relação ao ambiente das nossas escolas, em particular as escolas públicas; as relações entre alunos e professores, funcionários e pais e/ou encarregados de educação. Medidas precisam ser tomadas para que a escola seja, de facto, um local seguro e exerça a sua função de formar um cidadão íntegro e com competências.
Anualmente várias instituições do ensino superior colocam no mercado de trabalho licenciados em Psicologia de várias vertentes, em especial Psicologia Escolar e das Necessidades Educativas Específicas, Psicologia Escolar, Psicologia Educacional, Psicólogos Clínicos que aprendem a intervir em diferentes situações no contexto escolar, todavia, não são absorvidos e acabam no desemprego, enquanto as escolas públicas precisam destes profissionais. Não em refiro ao facto de só pela existência deste profissional na escola poder parar de acontecer situações do género, mas pelo menos haverá um formado em técnicas e ferramentas cientificamente válidas para oferecer melhor assistência e poder ajudar a prevenir diversas situações anómalas.
Outra questão da qual não tenho muito domínio é a de direito. Pois, soube que por serem menores de idade os alunos violadores foram soltos. Infelizmente, não tive acesso a informações fidedignas sobre o que realmente em termos jurídico-legal vai acontecer com aqueles alunos. Precisamos educar a sociedade, em particular aos petizes que há limites e sanções e que não podem cometer um crime e permanecerem impunes por serem menores.
Outro facto que me inquieta é a inexistência de censura nas redes sociais. Recebemos vídeos sensíveis que viralizam e atingem todas as idades sem nenhum filtro. É tempo de pensarmos, realmente, no tipo de conteúdos que partilhamos, se bem que de um lado às vezes a partilha pode ajudar na denúncia e procura dos malfeitores, mas maioritariamente cria desconforto para pessoas sensíveis, que não aguentam ver imagens e vídeos do género.
Os guardiões da moral, a sociedade civil, as instituições estatais, cientistas sociais, universidades e as famílias devem sentar, reflectir e traçar planos e estratégias de como resgatar a moral, os valores e bom senso na sociedade. Creio que todos queremos que os petizes possam se sentir seguros nas escolas, em particular, e na sociedade no geral. Por esta razão é urgente repensar para onde vamos e que sociedade queremos construir.
Um versículo bíblico que fala sobre a importância da moralidade é Provérbios 10:9, que diz: “Quem anda em integridade anda seguro, mas quem perverte os seus caminhos será conhecido.” Esse versículo destaca que é seguro viver na integridade e com princípios morais.
*Psicóloga e Activista Social


