Terça-feira, 10 Março, 2026
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Editorial

Por Jornal Notícias
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NOVOS horizontes se abrem para a história de Moçambique, com o lançamento, quarta-feira, da auscultação pública, no país e na diáspora, do Diálogo Nacional Inclusivo.

É uma iniciativa que visa a construção de uma visão colectiva para o país, assente em princípios de paz, estabilidade política, harmonia social e desenvolvimento sustentável.

Trata-se de um processo que deve igualmente ser assumido como caminho certo para o reforço da democracia e prosperidade, pilares essenciais na consolidação do Estado de Direito Democrático e funcionamento pleno das respectivas instituições.

Outrossim, é de louvar o acto, pois a decisão de se avançar para a auscultação pública é, em si, um reconhecimento do Governo de que nenhum caminho de desenvolvimento sustentável pode ser trilhado sem a escuta activa das diferentes sensibilidades do país e valida o pressuposto de que nenhuma opinião é irrelevante: a participação colectiva e o crivo público são cruciais na busca de soluções dos desafios que se impõem à nação, incluindo o reforço da boa governação.

Assim, não se trata apenas de mais uma consulta pública que ora arranca, mas sim de um exercício que pode definir a forma como o país se projecta no futuro.

Os reptos são inesgotáveis, mas não se deve deixar de abraçar o bem. Aliás, se de facto o país pretende tornar em realidade o seu sonho de prosperidade é necessário garantir, em processos como este, a inclusão de jovens, mulheres, líderes comunitários, agentes rurais, académicos, sociedade civil organizada, religiosos e jornalistas, possibilitando que encontrem espaço para partilhar as suas visões e preocupações.

Neste sentido, a visão do Chefe do Estado em relação ao princípio segundo o qual o diálogo deve ser encarado como espaço de debate e de respeito de todos deve  também servir de nova fonte de esperança e oportunidade de os moçambicanos voltarem a se abraçar para abrir novas perspectivas de reconciliação apresentando, sem mágoas nem ressentimentos, os seus pontos de vista sobre que Moçambique querem ver construído.

Está-se perante uma nova experiência para o país. Assim, cabe a cada moçambicano acarinhar a iniciativa, dissipando dúvidas e semeando certezas para que tudo possa, de facto, dar certo.

O diálogo renova o entusiasmo de se continuar a confiar em processos como este e é de exaltar esta visão, que faz com que,  com o diálogo nacional inclusivo, Moçambique experimenta uma nova utopia na sua história contemporânea.

Neste prisma, é também desejável que os actores do processo se mantenham firmes na materialização da estabilidade política e harmonia social, pressupostos que, em última análise,  sintetizam a cultura democrática que Moçambique está a cultivar enquanto nação.

O desejo é que a cultura democrática seja o resplendor dos moçambicanos, porque significa respeito indiscutível às regras democráticas, valorização de processos e resultados, e ainda definição de prioridades, que contemplam inclusão e equilíbrio social.

O desafio agora é garantir que a disseminação de informação estruturada possa contribuir para que o debate em curso sirva de modelo e inspiração para o almejado desenvolvimento.

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