A POLUIÇÃO ambiental em resultado da prática de actividades mineiras com recurso a técnicas nocivas continua a ser um dos temas relevantes em Moçambique, com o Governo a anunciar, esta semana, a criação de uma comissão técnica multissectorial para avaliação da situação nas zonas de mineração, desta vez na província de Tete.
Trata-se de uma medida que se seguiu a outra tomada semana passada para a província de Manica e que consistiu, inclusive, no destacamento de elementos das Forças de Defesa e Segurança (FDS) para as áreas mineiras, cujas actividades foram recentemente suspensas por constituírem um verdadeiro atentado à integridade de “habitats” e saúde pública.
O destacamento de efectivos das FDS visava desencorajar a retoma das actividades antes do levantamento da medida.
Aliás, a suspensão da mineração em Manica surgiu depois de sucessivos alertas sobre a tragédia ambiental que se verificava como resultado da exploração anárquica de recursos minerais, em especial o ouro aluvional nesta parcela do país.
Segundo os relatos, a situação é mais grave no distrito de Manica onde diversos rios e infra-estruturas estratégicas se encontram severamente poluídos, com implicações ambientais, sanitárias, sociais, económicas e de segurança pública nacional, com a presença no país de cidadãos estrangeiros de diversas origens.
A medida tomada em Manica, apesar de ser oportuna pecou por tardia, tendo em conta que a poluição afecta fontes de água potável, colocando em risco a sobrevivência de milhares de famílias e o funcionamento de centros de saúde, escolas e serviços municipais, para não falar da irrigação de campos e abeberamento do gado.
Não restam dúvidas que a actividade mineira, sobretudo, a exploração de ouro, tem a sua importância para a economia, mas não se pode ignorar os impactos nefastos causados pelo uso de técnicas danosas ao ambiente.
Aos olhos de todos, a mineração de ouro em Manica, para além da utilização do mercúrio, requeria a movimentação de elevadas camadas solos que provocavam a turbidez insuportável dos rios colocando em risco não apenas a sobrevivência da fauna como também o funcionamento das barragens com impactos negativos no fornecimento de água e electricidade à cidade de Chimoio.
Somos, portanto, de opinião que as medidas anunciadas para Manica e agora para Tete, não devem se circunscrever apenas nestes dois pontos do país: há necessidade de se passar “um pente fino”, em todas as operações mineiras no país.
Não se pode, num contexto em que todo o mundo abraça o desenvolvimento sustentável, continuarmos a assistir impávido, uma mineração danosa em todas as vertentes, muitas vezes, com o envolvimento de cidadãos estrangeiros que a troco de migalhas pilham os recursos do subsolo.
Num contexto de urgência global para a salvação do planeta dos efeitos das mudanças climáticas somos todos chamados a cada um fazer a sua parte para que a humanidade não colapse e para isso, qualquer acção isolada ou colectiva que formos a tomar tem que ter sempre a componente da sustentabilidade ambiental.
Somos pela replicação das medidas adoptadas em outros pontos onde há anarquia na exploração de recursos.



