NESTA quadra festiva do Dia da Família (Natal para os Cristãos) e fim do ano, na próxima semana, é incontornável uma reflexão sobre o caminhado trilhado por Moçambique nos últimos doze meses, sobretudo quanto aos desafios enfrentados e às bases lançadas para a estabilidade do país a todos os níveis.
O ano foi caracterizado por um crescimento económico moderado, condicionado por factores internos e externos, incluindo os impactos da agitação social relacionada com as manifestações pós-eleitorais, aliadas às pressões inflacionárias e limitações fiscais. Ainda assim, a economia revelou capacidade de resistência, com os sectores estratégicos a manterem-se activos e a contribuir para a sustentação do tecido produtivo.
A agricultura continuou a ser determinante para a segurança alimentar e geração de rendimento para milhões de agregados familiares, consolidando-se como um dos alicerces da economia. Outrossim, os sectores de energia, transportes e logística mantiveram-se como motores fundamentais para a atracção de investimento e integração regional, reforçando a posição estratégica do país no contexto da África Austral.
No domínio das finanças públicas, o ano exigiu rigor e responsabilidade. O esforço de reconstrução de infra-estruturas e de resposta às necessidades sociais implicou maior pressão sobre o Orçamento do Estado, tornando evidente a importância da gestão criteriosa dos recursos públicos. É neste contexto que o reforço da transparência, eficiência da despesa e do combate a práticas lesivas ao interesse colectivo continuaram a ser prioridades assumidas no caminho da consolidação económica.
No plano social, persistem desafios estruturais ligados ao acesso equitativo à educação, saúde, água e saneamento, sobretudo nas zonas rurais. O desemprego juvenil e a informalidade continuam a merecer atenção especial, exigindo políticas públicas integradas que promovam inclusão e oportunidades para a juventude. A estes desafios soma-se a preocupação com os acidentes de viação que em 2025 continuaram uma das principais causas da morte em Moçambique, isso para não falar dos avultados prejuízos materiais e morais. Neste contexto, o reforço da educação rodoviária, fiscalização e responsabilidade individual são ainda essenciais para inverter este quadro sombrio.
Um dos sinais positivos de 2025 foi o lançamento e a implementação do diálogo inclusivo. Num contexto de diversidade de opiniões e sensibilidades, tem-se afirmado a convicção de que a conversa franca, construtiva e abrangente é o caminho mais seguro para a consolidação da paz, estabilidade política e coesão social. A cultura de diálogo fortalece a democracia e cria condições para consensos duradouros em torno dos grandes desafios nacionais.
Nesta quadra festiva, em que as famílias se reúnem para celebrar a vida e renovar esperanças, impõe-se igualmente uma mensagem de responsabilidade colectiva. O desenvolvimento de Moçambique é uma construção diária que exige o contributo de todos — instituições, sector privado, sociedade civil e cidadãos.
Resumindo e concluindo, o ano prestes a findar foi de desafios e de reconciliação dos moçambicanos divididos depois das eleições de 2024, para o que foi determinante o lançamento do Diálogo Nacional Inclusivo. Foi um ano de arranque do novo ciclo de governação focada na devolução da confiança dos mercados em relação a Moçambique.



