DAISY CHARIFO
TODO dia é um novo dia, e todo novo dia neste país vem acompanhado de surpresas. O engraçado é que, por cá, quase nunca são surpresas agradáveis. Mas sem surpresas, sejam elas agradáveis ou não, não haveria motivos para que eu reaparecesse.
Mas vamos lá: em tempos fomos ensinados sobre as propriedades físicas da água. Até hoje tenho de cor que a água deve ser incolor, inodora e insípida. Entretanto, uma empresa especialmente criada para o fornecimento de água parece ser coordenada por pessoas que devem ter se esquecido das aulas de Química.
Surgem “memes” sobre a distribuição gratuita de café, refresco e sumo através das torneiras e, entre a graça e o desgosto, vou-me questionando sobre que espécie de caminho temos trilhado. Talvez não tenhamos muito com que nos alegrar, mas a água é, acima de tudo, o símbolo da esperança.
Uma esperança que definitivamente morreu. Porque, quando a água potável chega às torneiras turva e é comparada a café, nada nos leva a crer em recomeços e, muito menos, em promessas feitas.
E assim vai o país visto que, quando a água perde a transparência, talvez seja o país inteiro que já não consegue esconder a sua turvação. É tão irónico porque, por um lado, temos o sector da saúde a fazer das tripas coração para conseguir manter o bem mais precioso à salvo.
Entretanto, por outro, a água, alegadamente própria para o consumo, grita ter passado por um processo de tratamento mal-sucedido. Mas, por cá, é assim: a água surge como lente para vários problemas que, consistentemente, vamos negligenciando. Até porque, por cá, não só a água deixou de ser transparente.



