Albufeira de Chipembe incrementa a agricultura

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A ALBUFEIRA de Chipembe, localizada no posto administrativo de Mavala, em Cabo Delgado, não está a ser aproveitada na sua plenitude. Com a capacidade instalada para armazenar 25 milhões de metros cúbicos de água,  a infra-estrutura alimenta um regadio de 600 hectares, apenas 83 dos quais são explorados devido à escassez de recursos financeiros.

Segundo o chefe do posto administrativo, Patrício Teodoro, três associações e alguns singulares trabalham no regadio.

“O regadio produz tomate, repolho, cebola, pimento e milho em pequenas quantidades. A região é boa para a produção de gergelim, feijão e algodão, culturas de bandeira de Mavala”, afirmou.

Depois de ter trabalhado longos anos sozinho, o agricultor Muhate Assumane decidiu ingressar na associação Olima, motivado pelas vantagens e facilidades que os membros têm para ter apoios e conhecimentos técnicos.

Agora ele faz campanha por mais ingressos, defendendo que associados, os camponeses têm mais força para melhorar a produção, contribuindo para auto-suficiência alimentar e criação de excedentes, com vista a solucionar os problemas quotidianos.

“Deus deu-nos essa barragem com muita água. Devemos aproveitar ao máximo, fazendo machambas de hortícolas e outras culturas para a nossa alimentação”, disse Assumane.

Produtores clamam por mercado e estradas

OS produtores do distrito de Balama enfrentam dificuldades na comercialização, devido à falta de mercado, embora tenham vendido, até ao momento, 108.753 toneladas de produtos alimentares e de rendimento, acima de 90%, das 114.870 planificadas.

Entretanto, o posto administrativo de Impire, com 28.318 habitantes, conseguiu 23.873 toneladas de diversos produtos. “Houve registo de muita produção, mas poucos produtores conseguiram vender o milho, a maioria ainda tem os celeiros cheios, sem clientes”, referiu Adelino Ernesto, extensionista agrário.

Em Impiro estão instalados 8702 postos de compra de produtos alimentares, que não cobrem todas as aldeias, devido à precariedade das estradas, para além de não terem a capacidade de absorver toda a produção. “Estão ainda sem compradores as aldeias de Anguessi, Natove, Coroje, Nanhoma e povoado de Nandimba, zona potencialmente produtiva”, disse Ernesto.

Por exemplo, o camponês João Rumba Lupeto tem 100 sacos de milho, sete de gergelim, dez de feijão nhemba a espera de compradores. “Tenho ainda no meu celeiro, milho não debulhado. Não sei estimar a quantidade daquilo que ainda posso vender”, disse.

Manane Abdala, por sua vez, tem 160 sacos de milho e 11 de mapira e está esperançoso em conseguir vender a sua produção, para ter  o valor que lhe sirva para a próxima época e resolver algumas necessidades da família.

Jovens deslocados produzem hortícolas

QUARENTA jovens deslocados dos ataques terroristas estão envolvidos na produção de hortícolas no regadio de Chipembe, na sede do posto administrativo de Impire, numa área de três hectares,  com apoio da SNV OYI, uma organização não-governamental holandesa.

Segundo o extensionista Adelino Ernesto, os jovens foram capacitados em agro-negócio, oportunidade de emprego e processo de cadeia de valores na produção agrícola.

A SNV OYI montou uma estufa onde os jovens produzem para o consumo e para o mercado a preços simbólicos.

PARTILHA DE EXPERIÊNCIAS

Alfeu Agostinho Sulaha, agrónomo, formado no Instituto Agrário de Ribáuè, em Nampula, tem uma machamba de cinco hectares, onde produz melancia, pimento e  repolho para os mercados locais e de outros distritos.

Na campanha passada explorava uma área de dois hectares com oito trabalhadores, mas com o aumento da área de cultivo, o número de trabalhadores subiu para 13 pessoas, que também aprendem técnicas de produção por forma a melhorar o rendimento familiar.

“Ensino os trabalhadores as técnicas de produção para também serem empreendedores”, disse.

Suhala desafia outros jovens de Balama a abraçarem a agricultura, nomeadamente, a produção de tomate, aproveitando as potencialidades do regadio de Chipembe. “O Estado não terá emprego para todos. Se um jovem plantar mil viveiros de tomate e produzir cerca de cinco quilos por planta, os rendimentos serão maiores”, considerou.

O empreendedor tem como aposta a aquisição de uma camioneta para o transporte da sua produção para os mercados.

Apoio técnico às comunidades

AS comunidades rurais do distrito de Balama estão a ter apoio técnico do instituto agrário local na disseminação de técnicas para a melhoria do rendimento na produção agrária.

Segundo o director do instituto, Wilson  Madungal, os pacotes ligados à extensão visam apoiar as comunidades para o desenvolvimento das capacidades produtivas, suprir a insuficiência de técnicos existentes no Serviço Distrital das Actividades Económicas e assistir as comunidades locais.

“O instituto desenvolve acções para a divulgação de inovações de melhoria no tratamento dos frutos, com vista a combater a desnutrição crónica nas comunidades”, disse Madungal.     

O Instituto Agrário de Balama, em funcionamento desde Abril de 2018, graduou, no ano passado, os primeiros 74 técnicos e a organização holandesa de desenvolvimento, em coordenação com a Plexus Moçambique, vai introduzir o pacote de produção orgânica do algodão, direccionado inicialmente a 30 formandos, 15 dos quais têm emprego garantido na Plexus.

O instituto pretende introduzir cursos de curta duração e de empreendedorismo para jovens.   

Roubo de boias inviabiliza aquacultura

O PROJECTO de aquacultura na albufeira de Chipembe está em risco depois que desconhecidos roubaram os tambores, provocando o afundamento da plataforma, que segurava as boias.

Segundo  o director dos Serviços Distritais de Actividades Económicas (SDAE) de Balama, Arsénio André Jumamosi, as redes que retinham o peixe se deterioraram provocando a fuga do peixe.

O chefe do posto administrativo de Mavala, Patrício Teodoro, explicou que as 32 gaiolas flutuantes entregues a três produtores, não tiveram cuidados exigidos, e como consequência, começou o roubo de tambores que asseguravam as plataformas, tendo afundado as gaiolas, paralisando o seu funcionamento desde o ano passado.

Para reactivar a criação do peixe em cativeiro, Teodoro revelou estar em carteira a produção de alevinos e ração localmente para reduzir os custos.

Entretanto, há quem se mantém ainda firme na aquacultura, como Fernando Alisse, que abraçou a actividade, em 2017, instalando-se na aldeia de Nairobi, com um tanque de 500 metros quadrados.

A partir da campanha agrícola 2018/19, ganhou dez gaiolas flutuantes na albufeira de Chipembe e aumentou para três os tanques em Nairobi.

Está nos seus planos a abertura de mais quatro tanques, mas enfrenta o problema da falta de ração e alevinos. Como alternativa, recorre às espécies locais.

Para além de aquacultura, Alaisse dedica-se à agricultura familiar. Na próxima campanha projectou seis hectares para a produção de soja. A actual safra 2020/2021 conseguiu apenas 900 quilos, contra 2,5 toneladas de 2019/20.

Muita esperança no Corredor Pemba-Lichimga

POPULARES de vários pontos do distrito de Balama estão satisfeitos com a abertura do corredor Pemba-Lichinga.

Esta via, que une as capitais de Cabo Delgado e de Niassa, vai tornar mais fácil as  viagens entre as duas províncias. No passado era um martírio andar pela estrada, principalmente no período chuvoso.

Hélder António Ussene, motorista e residente em Marrupa, Niassa, que  compra mercadorias na vila de Balama, considera importante o corredor Pemba-Lichinga na circulação de pessoas e bens.

“Apelo às pessoas a cuidarem este empreendimento que veio para melhorar a nossa vida. Antes passávamos muito mal para chegar a Pemba ou Lichinga”, afirmou Ussene.  

Patrício Teodoro vê a estrada como alavanca para o desenvolvimento de Balama e as províncias de Cabo Delgado e Niassa, em geral. “O corredor está a beneficiar a muitas pessoas das duas províncias. A nova estrada reduz o tempo de viagem, custos de transporte e alavanca as trocas comerciais na região”, referiu.

Apesar da estrada estar ainda em obras, aumentou consideravelmente o trânsito rodoviário entre as duas capitais provinciais, com muitos benefícios para as populações que vivem ao longo do corredor.

Ismael Ussene Ali, proprietário de um estabelecimento hoteleiro na vila de Balama, vê com optimismo o corredor Pemba-Lichinga. “Facilita as trocas comerciais e a circulação de pessoas entre as duas províncias, impulsionando o desenvolvimento da região norte do país”, disse.

A Pemba-Lichinga atravessa os distritos de Montepuez e Balama, em Cabo Delgado, Marrupa e Majune, em Niassa.

O director dos SDAE de Balama considera que a passagem do corredor Pemba-Lichinga pelo distrito dinamiza a produção.

É com este olhar que, segundo Arsénio André Jumamosi, foi lançada na sede do distrito a primeira pedra para a construção de um mercado grossista, locais para a selecção, limpeza, tratamento e armazenamento de produtos agrícolas.  

Turismo em Balama

O SECTOR de turismo no distrito de Balama dispõe de quatro pensões com a capacidade de 33 camas.

Neste distrito, os visitantes podem contemplar o monte Muapé, com mais de 2500 metros de altura, áreas de conservação e caça, nos postos administrativos de Impire de Kwekwe.

Ismael Ussene Ali, operador turístico em Balama, sede distrital, apela ao governo para publicitar as potencialidades económicas existentes no distrito para atrair investidores nacionais e estrangeiros.

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