Expo Dubai: Moçambique na exposição universal pensando no desenvolvimento

0
177

ABIBO ALY

NA passada sexta-feira, 01 de Outubro, e com um ano de atraso devido à pandemia de Covid-19, abriu ao público a Expo-2020 Dubai. O evento, que termina em 31 de Março de 2022, é o primeiro mega evento desde o início da pandemia nos princípios de 2020. A Expo Dubai reúne mais de 200 participantes, incluindo 192 países, entre os quais Moçambique, como também organizações multilaterais, empresas e estabelecimentos de ensino durante 182 dias. Para a coordenação e participação do país neste evento, trabalha há cerca de dois anos o Comissariado-geral para a Expo-2020 Dubai (COGEDU).  Em entrevista ao ‘Noticias’, o Comissário-geral de Moçambique Miguel Mkaima, espera que a Expo Dubai impulsione o desenvolvimento cultural, social e económico do país através da atracção de novos investimentos. Moçambique leva para a Expo-2020 o tema “Respeito pela Natureza, o Melhor Legado Para as Gerações Vindouras” e o pavilhão nacional está enquadro no sub-tema “Sustentabilidade”, cujos conteúdos abrangem matérias relacionadas com as quatro prioridades do governo: agricultura, infra-estruturas, energia e turismo. “O enfoque do nosso pavilhão consiste na disseminação da imagem real do povo moçambicano, suas riquezas e potencialidades do meio ambiente de que se dispõe”, disse Nkaima

NOTÍCIAS (NOT) – Sendo a Expo Dubai um dos mais importantes eventos mundiais e uma feira internacional que reúne diversos sectores, quais são as ambições de Moçambique ao participar nela?

MIGUEL MKAIMA (MM) – A participação de Moçambique na Expo 2020 Dubai pretende promover e divulgar a boa imagem do país, trocar ideias inovadoras para fazer face aos desafios da actualidade, garantir o estabelecimento de novas parcerias nas áreas económicas, social, cultural e técnico-científica. Pretendemos também atrair mais investimentos, assegurando, igualmente, a transferência de tecnologia para as áreas em que Moçambique tem vantagens competitivas e comparativas, como a  agricultura, infra-estruturas, energia, cultura e turismo. Obviamente, que não iremos descurar a necessidade de se impulsionar o desenvolvimento cultural, social, económico, científico e tecnológico em prol da paz, progresso e desenvolvimento da humanidade.

NOT – O que se pretende então, na prática, é dar a conhecer Moçambique ao mundo…?

MM – Sim. Moçambique vai aproveitar o evento para se fazer conhecer perante o mundo, sobretudo, na sua forma de pensar e promover o desenvolvimento do país. Por isso, o evento constitui uma oportunidade para fazermos novos amigos, parceiros, investidores estrangeiros. O país investiu com tudo o que tem para que a sua participação na Expo seja um sucesso.

NOT – Um evento destes acarreta custos não só para os organizadores, mas também para os participantes. Acredita que a Expo pode trazer retornos para o nosso país?

MM – Os ganhos serão altos e temos a plena esperança de que os participantes da Expo vão receber, com agrado, as apresentações moçambicanas em questões como  ambiente e oportunidades de negócios, bem como sobre as necessidades de investimento nas áreas da agricultura, indústria, entre outros. Os benefícios da Expo não são imediatos, pois as exposições universais são uma plataforma para troca de experiências e de ideias inovadoras em prol do desenvolvimento económico, social, cultural e científico viradas para as futuras gerações. Os retornos devem ser vistos como um projecto de curto, médio e longo prazos. Portanto, os retornos devem corresponder ao plano de desenvolvimento do país. Vamos divulgar a imagem real, positiva, de paz e desenvolvimento em Moçambique para milhões de pessoas que vão acorrer ao nosso pavilhão. O retorno que almejamos é que consigamos atrair mais investimentos nas áreas económicas, social, cultural e técnico-científica. Pretendemos, igualmente, estabelecer parcerias e fortalecer os laços de amizade e cooperação entre Moçambique e os vários países presentes no certame.

Expor o melhor na maior montra do mundo

O COMISSÁRIO-GERAL de Moçambique na Expo-2020 Dubai, Miguel Mkaima considera que o facto do país participar na exposição universal, possibilita-o estar “na maior montra do mundo”, pelo que o objectivo da delegação é tirar os maiores dividendos possíveis no evento expondo todo o seu potencial.

NOT – O que Moçambique se propõe apresentar nesta exposição?

MM – Moçambique vai expor o melhor que possui. O enfoque do pavilhão do país é a disseminação da imagem real do povo moçambicano, suas riquezas e potencialidades do meio ambiente de que se dispõe. Pretendemos que o pavilhão seja interactivo, implementando itinerários temáticos substantivos com vista a proporcionar aos visitantes viagens virtuais e multimédias com base nas novas tecnologias de informação e comunicação e com o referenciamento territorial e ambiental, salientando os aspectos económicos, sociais, culturais e turísticos do nosso país. Das actividades a serem desenvolvidas, temos a destacar a comercialização de produtos de impacto artístico, cultural, turístico ou gastronómico de Moçambique no nosso pavilhão ao longo dos seis meses da Expo. Haverá também uma  participação do sector empresarial moçambicano nos seminários, debates e colóquios à volta da temática da feira e sobre oportunidades de negócio e investimento para o país, para além da promoção das actividades artístico-culturais no âmbito do Dia Nacional de Moçambique na Expo 2020 Dubai.

NOT – Como será a participação empresarial moçambicana no mega evento mundial?

MM – De um modo geral, as empresas levam consigo o maior volume de produtos moçambicanos com impacto na nossa balança comercial. Há muito que lançamos a divulgação da presença de Moçambique na Expo 2020, a nível nacional, envolvendo todas as províncias para que assegurássemos maior participação no evento. Neste momento, temos cerca de dez sectores governamentais que apresentaram projectos concretos e estruturais para serem vendidos na Expo, em busca de parceiros investidores interessados. No geral são projectos de quatro sectores que levamos, nomeadamente, infra-estruturas, agricultura, energia e turismo, que são “a bandeira” de Mocambique. Mas isso não quer dizer que outros sectores não participam.

NOT – Quais foram os critérios de selecção?

MM – Os sectores que levamos foram escolhidos com base nas acções definidas, pelo  governo, como sendo prioritárias para o presente quinquénio, a agricultura, as infra-estruturas, a energia e o turismo. Como referi, o tema central da Expo 2020 Dubai é “Conectando Mentes, Criando o Futuro”. Este tema também privilegia a conectividade, parceria e colaboração entre as nações e organizações internacionais na busca e identificação de soluções sustentáveis para os problemas globais do planeta. Assim,  é  um evento que visa impulsionar o desenvolvimento cultural, social, económico, científico e tecnológico em prol da paz, progresso e desenvolvimento da humanidade. O tema está estruturado em torno de três sub-temas, nomeadamente, Oportunidade, Mobilidade e Sustentabilidade. Governo aprovou o enquadramento do Pavilhão de Moçambique na Expo inserido no sub-tema “Sustentabilidade”, tendo em conta que este abrange praticamente as matérias relacionadas com as quatro acções prioritárias: agricultura, infra-estruturas, energia e turismo.

Falta de recursos limita ganhos maiores

O COMISSÁRIO-GERAL para a Expo Dubai falou também dos constrangimentos à participação de Moçambique neste evento, considerando que este facto vai limitar a possibilidade do país ter ganhos maiores na exposição universal.

NOT  – Quais são os principais desafios enfrentados no processo de organização da participação de Moçambique?

MM – O grande constrangimento é o facto de o país ser pobre em termos de recursos financeiros. Um projecto de participação num evento como a Expo sempre traz consigo necessidades financeiras, porque uma coisa é o que escrevemos nos nossos planos e outra é a sua concretização, tendo por base as condições financeiras de cada participante. Confesso que não estamos capacitados para cumprir financeiramente as exigências de todas as actividades no decurso da Expo, sendo este, um dos grandes constrangimentos. É nesse contexto que, muitos participantes nacionais irão pagar as suas viagens de ida e volta e de permanência nos Emirados Árabes Unidos. Toda a equipa técnica do Comissariado-Geral de Moçambique na Expo já se encontra  Dubai .

Sobre a exposição universal

DUBAI é a maior cidade e um emirado de mesmo nome dos Emirados Árabes Unidos (EAU), uma federação de monarquias absolutas do Golfo Pérsico. Prevê-se que a Expo 2000 atrai, durante os seis meses em que estará aberta, 25 milhões de visitantes, 70 por cento dos quais 70, oriundos de fora dos EAU, tornando se deste modo a maior expo já alguma vez realizada. Os três sub-temas do certame destacam a sustentabilidade, apontando, nesse contexto, as fontes sustentáveis de energia e água, uma vez que no mundo de hoje, onde se regista um crescimento acelerado da população, as inovações viradas para a produção, fornecimento e consumo de energia e água tornam-se cada vez mais importantes.

Assim, a Expo 2020 será uma plataforma para colocar novos modelos de produção ao serviço do fluxo de recursos financeiros e intelectuais, para consolidar o espírito de empreendedorismo e inovação.

A exposição foca-se, igualmente, nos variados meios de identificar possíveis parcerias, tendo como meta produzir um legado de inovações.

O evento estava marcado para o período de 20 de Outubro de 2020 a 10 de Abril de 2021, mas devido à pandemia de Covid-19, o mesmo foi remarcado para o período que vai de 01 de Outubro de 2021 a 31 de Março de 2022, mantendo o nome de “Expo 2020”.

+ posts

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here