Tete: Luenha atormentada pela erosão e queimadas descontroladas

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DALTON SITOE

A VILA de Luenha, sede distrital de Changara, na província de Tete, já perdeu mais de 200 metros do território  por conta da erosão progressiva das margens do rio que lhe dá nome e ameaça destruir o povoado caso não se tomem medidas drásticas e urgentes.

Na época chuvosa em Moçambique e no Zimbabwe, onde nasce o rio, o caudal do Luenha aumenta e as águas corcomem a parte inferior das arribas do rio, com aproximadamente 20 metros de altura, o causa depois o aluimento de terras, em particular  junto da vila sede distrital.

Por outro lado, o declive da margem rio é bastante acentuado o que impossibilita o reflorestamento como solução para conter a erosão. E nalguns pontos há por baixo o que facilita a evolução do desgaste do solo.

Outro facto que acelera a destruição da vila por conta da degradação dos solos, é o assentamento informal, que com a falta de valas para condução das águas das chuvas, estas abrem crateras que vão de junto do rio ao interior do povoado, colocando em perigo instituições governamentais.

Há famílias que viviam nas proximidades da margem e que, devido ao avanço da erosão, abandonaram as suas casas para construir em zonas seguras. Entretanto, existem outras que resistem em sair, pois estão convictas que a progressão da erosão acabou.

“Não pensamos em sair daqui, porque estamos a viver bem. O rio não vai chegar aqui”, argumentou a idosa Marta Domingos, camponesa residente nas margens do Luenha.

Este curso de água tem o leito maior de forma sazonal, o que permite à comunidade da vila explorar a humidade da área, quando o rio está no período de leito menor, para cultivar feijão, milho, cebola, tomate, e outras culturas.

Na época chuvosa, com o caudal mais aumentado, os camponeses suspendem as suas actividades naquele local. Entretanto, há vezes que são surpreendidos e perdem suas culturas. Marta Domingos, por exemplo, contou que em meados deste ano, choveu tanto o Zimbabwe que o Luenha ganhou o leito de cheia e os camponeses perderam muito feijão, que se preparavam para colher.

A comunidade, também, utiliza o curso de água para sua higiene. Diariamente, gente de todas faixas etárias desce para rio para lavar roupa, tomar banho e acarretar água.

Pelo facto de Changara ter uma terra maioritariamente argilosa, jovens desta comunidade usam o rio para produzir tijolos, que alimentam a construção de casas em Luenha e noutros lugares do distrito.

“Fui informado que temos de sair daqui, então estou a aproveitar o rio para fazer tijolos para casa que irei construir no bairro 7 de Abril”, revelou Lavmo Mande, residente nas proximidades de uma cratera aberta pela erosão.

Aliás, a produção de tijolos é também um dos factores que contribui para a erosão, isto porque os produtores abrem covas durante a sua actividade.

Por outro lado, ao longo da estrada principal é possível ver milhares de sacos de carvão vegetal a venda, facto que resulta do abate de árvores, o que também promove a fácil deterioração dos solos, sobretudo em épocas das chuvas.

Assim, para além da maior degradação do solo da vila de Luenha, o distrito de Changara é afectado em várias comunidades pela erosão laminar e por sulcos erosivos.

Queimadas descontroladas destroem pastagem

AS matas do distrito de Changara estão a ser destruídas pelas queimadas descontroladas, provocadas por pessoas desconhecidas. Actividades sazonais como a caça de animais de pequena espécie, produção de carvão vegetal e agricultura de corte e queima, estão por detrás da onda da destruição da flora.

Segundo membros das comunidades, a prática agrícola corte e queima causa queimadas descontroladas quando os camponeses usam o fogo para facilitar a preparação de área para plantio, sem isolar a respectiva zona ou, as vezes, por um incidente que origina o contacto entre a área separada e o resto da mata. Em determinadas circunstâncias ocorrem queimadas causadas pelos produtores do carvão vegetal.

A nossa equipa de Reportagem soube que caçadores têm lançado fogo nas matas como uma técnica para levar a caça para um determinado lugar. Entretanto, não há relatos de pessoas apanhadas a atear o fogo.

“Apercebemos que um sítio está arder, quando o fogo já está em grandes proporções. E nesses casos não conseguimos identificar quem fez, porque como sabem que é proibido escondem-se”, explicou Luís Cutama, líder comunitário no povoado de Chicomphende.

No ano passado, foi criado um comité comunitário de gestão de recursos naturais para fiscalizar as queimadas. De forma alternada, cada bairro destaca um grupo para vigiar. Entretanto, segundo Cutama, o comité não tem apresentado resultados concretos à comunidade.

“As autoridades governamentais dialogam com a população para mostrar como evitar queimadas descontroladas e todos sabemos dos perigos e estamos cientes das medidas punitivas que podemos sofrer caso sejamos apanhados atear o fogo na mata. Por isso, não creio muito que os casos, a maioria, sejam causados pelos camponeses ou  produtores de carvão”, argumentou o líder comunitário.

Por serem áreas extensas em chamas, muitas vezes, as comunidades não têm tido outra opção a não ser deixar até que o fogo se extinga por si próprio. Nalguns casos, a progressão das chamadas é travada por uma estrada.

As queimadas, além de danos ambientais, constituem um grave problema para o pasto do gabo. O distrito de Changara é de grande potencial pecuário – cabritos e bovinos – ao nível da província de Tete.

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