VACINAÇÃO DE CRIANÇAS: Impõem-se medidas para prevenir surtos!

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ANA RITA TENE

A PANDEMIA da Covid-19 obrigou o sector da Saúde a introduzir alterações e reajustes na provisão de cuidados de saúde, com impacto no número de petizes atendidos nas consultas da criança sadia e programas de vacinação.

Entre as alterações, consta a dispensa multi-mensal de medicamentos para os doentes crónicos, o que levou algumas mães a “gazetar” às vacinas dos seus bebés. Em Magude, por exemplo, a situação levou à redução do fluxo de crianças atendidas diariamente nas unidades sanitárias deste distrito da província de Maputo.

Com a aprovação das medidas para conter a propagação da Covid-19, o número de mães que levam os filhos para tomar vacinas baixou de forma significativa em Magude, nos primeiros nove meses do ano passado.

O medo de contrair e transmitir o novo coronavírus contribuiu para o absentismo ou atraso na procura pelos cuidados de saúde da criança. A responsável pelo Programa Alargado de Vacinação (PAV) em Magude, Aila Manjate, diz que a cifra de crianças vacinadas registou uma baixa preocupante, obrigando o sector a adoptar estratégias para assegurar a cobertura da imunização.

Manjate explica que algumas mães, sofrendo de doenças crónicas, passaram a receber medicamentos trimestralmente e entenderam que não era para levar as crianças às unidades sanitárias por causa da Covid-19.

“Com a aprovação da dispensa multi-mensal de medicamentos, aliado às longas distâncias percorridas até à unidade sanitária, elas só iam a consulta e vacinação da criança quando tivessem que levantar os seus remédios”, conta.

Entretanto, está a aumentar a consciência de mães sobre a importância de cumprir com o calendário de vacinação, calculando-se que mais crianças, 2300, tenham tomado as vacinas nos primeiros nove meses deste ano, contra as 1931 de igual período de 2020, fruto de programas de sensibilização e mobilização nas comunidades.

“Nos anos anteriores à pandemia, alcançávamos 100 por cento das metas de crianças completamente vacinadas”, acrescenta.

Melhor preparadas para as adversidades

A ATENÇÃO à mulher grávida é um dos passos para assegurar o bem-estar e saúde da criança, daí que muitas mães tiveram que se ajustar para aceder aos serviços de pré-natal e consultas da criança sadia.

Milhares de gestantes foram obrigadas a assegurar os cuidados de saúde, num período que as medidas para conter a propagação da Covid-19 eram mais apertadas. A situação preparou-as para se prevenir do novo coronavírus e levar os seus bebés à vacinação e controlo de crescimento.

Lídia Ubisse, mãe de um bebé de cinco meses, na sede de Magude, refere que ajustar a vida à pandemia não tem sido tarefa fácil e obriga à adopção de novas formas de vivência nas comunidades e na família.

“Tenho consciência do perigo existente na deslocação de um recém-nascido. É por isso que me esforço para reduzir o risco de contágio. Outra medida importante neste período tem sido a consulta nas unidades sanitárias próximas”, disse.

Cátia Macamo, que cumpriu as primeiras quatro doses de vacinação do seu bebé no Centro de Saúde de Magude, lamentou o facto de muitos pais negligenciarem a saúde dos seus bebés, elevando o risco de contraírem outras doenças.

“O centro de Saúde não tem tido o mesmo fluxo de pacientes. Isto pode estar relacionado ao medo da Covid-19. Mas é preciso perceber que a prevenção de uma doença não deve ignorar outras patologias”, defendeu.

Vacinas fortalecem imunidade dos bebés

A IMPLEMENTAÇÃO de programas robustos de vacinação infantil constitui uma medida eficaz na redução das taxas de mortalidade em crianças menores de cinco anos, bem como na melhoria da saúde da criança.

Gina Macamo, residente no bairro Maguiguane, mãe de um menino de oito meses, conta que teve de se ajustar à pandemia, para assegurar as consultas pré-natais e as vacinas do seu bebé, por saber do impacto destas na saúde da criança.

Explica que os cuidados exigidos durante a gestação, numa altura de medidas restritivas devido à Covid-19, permitiram que estivesse em melhores condições de cuidar do bebé e gerir as consultas mensais.

“A criança ainda não tem imunidade suficiente para lutar contra doenças. A vacina serve para proteger o bebé de infecções. É preciso reforçar a prevenção de outras doenças”, explicou.

Segundo Macamo, as vacinas constituem a intervenção de saúde pública mais sustentável, em termos de custos, para reduzir a mortalidade infantil e melhorar a saúde da criança.

A posição é reforçada por Fátima Chemo, mãe de uma menina de 10 meses, segundo a qual é importante cumprir todas as vacinas previstas no cartão de saúde da criança, para prevenir surtos de doenças cuja prevenção é possível.

Explica que a vontade de ver a sua bebé crescer saudável a motiva a cumprir com o calendário de vacinação e tem recebido aconselhamento sobre a importância dos cuidados de saúde do bebé.

“Durante as consultas pré-natais, as enfermeiras de saúde materno-infantil falam da importância de fazer o acompanhamento da gestação e do cumprimento das vacinas obrigatórias na prevenção de doenças e tenho vindo a seguir”, afirmou.

Avaliação nutricional melhora saúde infantil

UMA das intervenções previstas no atendimento a crianças é a avaliação para o despiste de situações de desnutrição aguda, baixo peso, sobrepeso e obesidade.

Para além da avaliação nutricional, através das medições antropométricas, as consultas da criança sadia garantem a suplementação da Vitamina A e desparasitação de crianças a partir dos 12 meses.

Para a nutricionista no Centro de Saúde de Magude, Anita Maungue, estes serviços são fundamentais para encaminhar crianças com problemas nutricionais aos cuidados especializados e ensinam às mães as técnicas de preparar alimentos saudáveis para os seus bebés.

“É aqui onde detectamos crianças com baixo peso, sobrepeso e obesidade ou ainda com desnutrição aguda. Também fazemos a desparasitação e a suplementação com Vitamina A, que é para evitar a cegueira nocturna”, explica.

As crianças com desnutrição aguda, segundo a técnica, são referidas ao tratamento no ambulatório com vista a sua reabilitação. A educação nutricional, considera, tem tido um impacto positivo na redução do número crianças desnutridas.

“Aconselhamos às mães a optarem pelos produtos naturais para alimentar as suas crianças. Temos dito a elas para se acautelarem dos enlatados e outras conservas. Muitas mães trabalham na agricultura. Nós damos a educação de como transformar os produtos que trazem das suas machambas a bem dos seus filhos”, acrescenta.

Os dados divulgados pela técnica indicam que a proporção de crianças com problemas nutricionais estão em torno dos 25 por cento, o que representa uma redução em relação aos anos anteriores.

“Os números, na verdade, mostram que as mães estão a seguir as recomendações dos profissionais de saúde sobre como alimentar as suas crianças”, afirmou.

Maungue explica que houve uma ligeira redução do número de mães que procuravam os cuidados de saúde da criança por medo de contrair o novo coronavírus e as metas de administração da Vitamina A e a desparasitação estiveram abaixo do esperado.

Há crianças a tomar vacinas em atraso

O PROGRAMA Alargado de Vacinação (PAV) têm focalizado as suas acções na prevenção de doenças dos lactentes ou de crianças de até 59 meses, ao mesmo tempo que pode salvar os recém-nascidos pela imunização das mães.

A responsável pelo PAV em Magude, Aila Manjate, explica que a vacina constitui a primeira linha de defesa contra vários tipos de doenças infecciosas.

Uma criança não vacinada pode enfrentar graves enfermidades, incluindo as potencialmente não tratáveis que podem ser mortais. A consciência disto, disse, tem levado as mães, mesmo já fora do calendário de vacinação a procurarem os cuidados de saúde para a imunização de seus filhos.

As crianças de nove e 18 meses são as que mais falham as vacinas, o que pode concorrer para o surgimento de casos de rubéula e sarampo. O atraso na toma destas doses poderá, segundo Manjate, comprometer os esforços do sector da saúde em reduzir a incidência das doenças.

“Existe o risco de administramos estas vacinas num momento não aconselhável, o que pode influenciar na incidência de enfermidades. Uma criança não vacinada pode contrair estas doenças, cujas vacinas temos disponíveis e morrer”, acrescentou.

Explicou que o Serviço Nacional de Saúde não dispõe de tratamento para estas doenças, daí que a vacinação é a melhor arma para evitar a sua ocorrência. Trata-se, segundo Aila, de patologias cujo tratamento é paliativo, daí a importância das vacinas.

“A paralisia flácida aguda, por exemplo, é outra doença sem cura. Quando diagnosticada, a criança é condenada a viver assim por toda a vida, mas é prevenível por vacina, daí que os bebés devem tomar imunizante”, apelou.

Reforçou a importância de as mulheres estarem conscientes da importância das vacinas na prevenção de doenças e que não falhem as datas previstas nos cartões de saúde.

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