História da cidade de Xai-Xai contada em livro

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A CELEBRAÇÃO do sexagésimo aniversário da elevação de Xai-Xai, capital provincial de Gaza, à categoria de cidade será feito com o lançamento, hoje, de um livro intitulado “Cidade de Xai-Xai: 60 anos de uma comunidade em metamorfose”.

A produção do livro teve a coordenação de Abel Silvestre Mazuze, com o apoio de Arsénia Pedro Matsinhe e Xadreque Paulo Mate, sob direcção de Silva Dunduro, director-geral do ARPAC.

Para corporizar a obra, foram produzidos 12 artigos de reflexão, divididos em seis áreas temáticas, designadamente “História”, “Economia”, “Educação”, “Urbanização” “Política” e “Sociedade”.

A primeira parte do livro, dedicada à História, corporiza-se por quatro artigos, designadamente “Os Concheiros de Xai-Xai e Chongoene (Província de Gaza, Moçambique): a Devolução do Passado no Contexto da Arqueologia Pública”; “A Estrutura Político-Administrativa de Xai-Xai no Período Pós-Independência (1975-1998)”; “O Percurso Histórico da Mulher na Cidade de Xai-Xai” e, por fim, um ensaio baseado em dados bibliográficos e trabalho de arquivo sobre as metamorfoses de Xai-Xai, num contexto de profundas transformações que marcaram o período pós-independência em Moçambique.

No domínio da “Economia, o livro tem três artigos, nomeadamente “A Vulnerabilidade Económica dos Vendedores de Produtos de Baixa Renda na Luta Pela Sobrevivência na Cidade de Xai-Xai”; “Abordagem Teórica Sobre o Comércio Informal na Cidade de Xai-Xai” e “Turismo – Uma Perspectiva Para o Desenvolvimento Comunitário na Praia de Xai-Xai”.

A secção referente à “Educação e Sociedade é constituída por dois artigos, designadamente “A Pertinência dos Saberes Locais na Negociação de Identidades no Espaço Global: Um Estudo a Partir do Topónimo 8 de Março na Cidade de Xai-Xai” e “Percepções Sobre os Suicídios na Cidade de Xai-Xai”.

A “Urbanização é outra temática em destaque neste livro e conta com dois artigos. São eles “Análise da Organização Socioespacial: Um Olhar sobre a Urbanização e Estética da Cidade de Xai-Xai” e “O Desenvolvimento Sóciourbano e Infra-estrutural da Cidade de Xai-Xai, no Pós-Independência”.

A última secção do livro, “Política”, aborda a “Reflexão Sobre a Governação Participativa nas Autarquias Locais: o Caso do Município de Xai-Xai (2009-2013)”; “Mabulu Mayaka Doropa – Uma Participação Comunitária Estruturada”.

Com efeito, em 1961, através da Portaria nº15.349 de 7 de Outubro, a área actualmente correspondente ao Conselho Municipal de Xai-Xai foi elevada à categoria de cidade, passando nessa altura a designar-se Cidade de João Belo, denominação que só veio a ser alterada após a proclamação da Independência de Moçambique.

A elevação de Xai-Xai à categoria de cidade, há 60 anos, pode ser entendida como a formalização do reconhecimento da importante dinâmica comercial que se desenvolvia localmente e do intercâmbio entre Xai-Xai e outras povoações vizinhas, entre Maputo e Inhambane.

Trata-se de um processo muito anterior à presença portuguesa, que foi sofrendo transformações em função da presença de novos actores a cada momento.

Nesta ordem de ideias, acredita-se que as condições ecológicas favoráveis e a abundância de recursos para a subsistência humana tenham sido determinantes para a rápida fixação humana.

Entretanto, os estudos arqueológicos disponíveis não são conclusivos sobre os primeiros habitantes desta região, apesar de existirem evidências da presença humana no 1.º milénio. Desse período para cá, sucessivas vagas migratórias tiveram Xai-Xai como destino, o exemplo da expansão do Estado de Gaza, da presença de comunidades de diferentes pontos do continente africano, da presença de asiáticos, de americanos e de europeus.

O livro resulta de uma pesquisa levada a cabo por 19 académicos moçambicanos pertencentes ao Instituto de Investigação Sócio-Cultural (ARPAC), como instituição coordenadora, e as universidades Eduardo Mondlane (UEM), do Save (UNISAVE) e de Lisboa. São eles Abel Silvestre Mazuze, delegado do ARPAC em Gaza; Alba Paulo Mate; Alberto Francisco Valoi; Arsénia Pedro Matsinhe; Crimildo Chambe; Eceu da Novidade Angélica Muianga; Emídio Benjamim Xavier, Helder Tchambule; Horácio Alexandre Mavale; João Carlos de Senna-Martinez; João Denilson Machava; Liçana Jeiamba; Manuel Salomão Bendzane; Osvalda Isac Mabjaia; Solange Macamo; Stela Gujamo; Victor Simões; Victorino Victor de Carvalho e Xadreque Paulo Mate.

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