Beira: Maus tratos aos idosos continuam ante a indiferença da sociedade

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OS maus tratos contra a pessoa idosa continuam, perante a indiferença da sociedade. A constatação foi apresentada no Centro de Apoio à Velhice de Nhangau, na cidade da Beira, pela directora provincial de Juventude, Emprego e Desporto, Ana Cristina, por ocasião do Dia Internacional da Pessoa Idosa.

Falando em representação do governador da província de Sofala, Lourenço Bulha, a directora lamentou o facto de os idosos continuarem a ser vítimas de maus tratos, muitas vezes praticados pela própria família.

“Na nossa província a situação da pessoa da terceira idade ainda é muito precária com sistemáticos actos de violência que resultam na perda de vida por parte de alguns deles, sob acusação de serem feiticeiros”, relatou.

Consequentemente, Ana Cristina defendeu que a situação da pessoa idosa exige um acompanhamento eficaz da família, do Estado, comunidade e de toda a sociedade como forma de lhe devolver a dignidade que merece.

“A sociedade tem o dever de cuidar com amor e carinho os idosos, porque esse grupo social desempenha um papel preponderante na educação dos mais novos, na transmissão de valores morais e sociais às gerações vindouras”, recomendou.

Justificando a escolha do lema das celebrações deste ano, “Por um Mundo Digital Inclusivo às Pessoas Idosas”, Cristina afirmou que se pretende mais uma vez apelar à sociedade sobre a necessidade de acesso e participação da pessoa idosa no mundo digital tendo em conta que no quadro dos avanços tecnológicos este grupo tem sido discriminado.

INCLUSÃO DO IDOSO

Presente no evento, o esposo da secretária do Estado em Sofala, Alberto Zeca, disse que o lema alerta ao governo, organizações da sociedade civil e a todas as forças vivas da sociedade a incluírem a pessoa idosa na utilização das novas tecnologias garantindo-lhe o acesso ao mundo digital.

“A pessoa idosa deve usufruir das novas tecnologias”, defendeu, acrescentando que se trata de um direito.

“Se ainda temos centros como este é porque há famílias que continuam a abandonar os idosos”, acusou.

Entretanto, a directora do Centro de Apoio à Velhice de Nhangau, Paula Almoça, revelou que, através de parceiros, adquiriu descodificadores para permitir que os idosos do centro tenham acesso à informação através da televisão, depois do desligamento do sinal analógico.

Almoça reafirmou que acusações de feitiçaria e abandono da pessoa da terceira idade são alguns dos maus tratos que se registam em algumas famílias na cidade da Beira, daí que muitas das vítimas tenham que ser abrigadas no Centro de Apoio à Velhice de Nhangau.

“Os idosos que vivem aqui foram abandonados pelos próprios familiares sob acusação de prática de feitiçaria. Alguns deles nunca se casaram e não têm ninguém para cuida-los”, sublinhou.

Segundo a directora, o centro acolhe 80 idosos, número que cresceu após a ocorrência do ciclone tropical Eloise, que fustigou a cidade da Beira.

Revelou, igualmente, que além dos idosos vivem neste centro 19 crianças, algumas das quais transferidas do infantário provincial e das comunidades cujos familiares abandonaram-nas por serem deficientes.

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