Pacientes operados a fendas labiais e palatinas

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VINTE e sete pacientes de alguns distritos da província de Sofala estão a ser submetidos, desde segunda-feira, a mais uma campanha gratuita de cirurgia de correcção de fendas labiais e palatinas no Hospital Central da Beira (HCB).   

As operações, com previsão de término para amanhã, abrangem maioritariamente menores de idade e estão sendo realizadas por médicos moçambicanos.

O responsável provincial da Saúde Oral no Serviço Provincial de Saúde de Sofala, Eclécio Jonasse, explicou, na ocasião, que a campanha visa corrigir malformações congénitas nos doentes elegíveis.

Acrescentou que uma pessoa com fendas labiais e palatinas tem dificuldades de falar, mastigar alimentos, além de enfrentar problemas de dentição.

Recordou que, em média anual, são feitas 15 intervenções desta natureza na fase infantil para facilitar a cicatrização e prevenir alterações psíquicas.

“A mobilização dos doentes foi feita um pouco pelos distritos de Sofala e foram identificados 27 pacientes, 17 dos quais já estão concentrados no HCB, enquanto os restantes ainda estão a ser transportados para esta unidade hospitalar”, elucidou.

Em relação às cirurgias realizadas, seis foram efectuadas na segunda-feira e quatro na terça-feira, esperando-se que até amanhã os médicos consigam operar todos os 27 doentes identificados.

Para Eclécio Jonasse, os resultados são satisfatórios e os médicos estão a conseguir restaurar a estética facial e devolver a auto-estima dos pacientes. Cada cirurgia varia de uma a duas horas dependendo do caso.

O esposo da secretária de Estado na província de Sofala, Alberto Zeca, presente na oportunidade, apelou às famílias com membros que têm fendas labiais e palatinas para os encaminharem às unidades sanitárias para serem submetidos a cirurgias.

“Devem encaminhar as crianças com estes problemas ao hospital o mais cedo possível, antes mesmo de completarem um ano. Não escondam as crianças porque vão prejudicá-las. A melhor forma é levá-las ao hospital”, recomendou.

Na mesma ocasião, os pacientes receberam algum conforto do esposo da secretária de Estado desta parcela do país, que lhes ofereceu brindes.

Por sua vez, Rita Francisco, residente no bairro de Matacuane, na cidade da Beira, cuja filha de dez anos foi submetida a cirurgia, contou que ela nasceu com fendas labiais e que por conta disso era chamada de nomes feios na comunidade.

Contou ainda que tinha vergonha de andar com ela e que a sua filha tinha dificuldades para se alimentar, mas depois da operação tudo voltou à normalidade e vai acompanhar até sarar a ferida.

“Estou muito feliz porque a minha filha voltou a ter boca igual a de outras crianças. Andava muito triste, mas os médicos diziam que um dia a minha filha seria operada e ficaria melhor. Eu não acreditava, mas hoje tenho a certeza e irei aconselhar outras mães a dirigirem-se ao hospital com os seus filhos que tenham o mesmo problema”.

Jornal Notícias
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