PROTECÇÃO COSTEIRA: Construção de barreira inicia próximo ano

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ARRANCA no segundo semestre do próximo ano a construção do muro de protecção costeira da cidade da Beira, uma empreitada prevista para um período de cinco anos.

O vereador de Construção e Urbanização no Conselho Municipal daquela urbe, Augusto Manhoca, indicou que, para o efeito, a Administração de Infra-estruturas de Água e Saneamento (AIAS) no Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos vai lançar o respectivo concurso público internacional.

Acrescentou que as obras em alusão vão cobrir uma extensão total de 25 quilómetros, subdivididos em quatro troços, nomeadamente o norte do Porto da Beira-Praia Nova; Praia Nova-Palácio dos Casamentos; Palácio dos Casamentos-Farol de Estoril; e Farol de Estoril-Rio Maria.

Revelou que as obras vão incluir a construção de esporões gigantes tendo para tal sido realizados os respectivos estudos geofísicos para a construção de diques com uma defesa essencialmente para evitar a invasão das águas do mar ao continente.

Com financiamento do Banco Mundial e do Reino dos Países Baixos, em 60 milhões de dólares norte-americanos (3,9 mil milhões de meticais), as obras do muro de protecção costeira da Beira surgem no âmbito da reconstrução pós-ciclone Idai que em Março de 2019 que fustigou severamente a cidade capital da província central de Sofala.

Avaliando as actuais condições da progressiva erosão costeira, a fonte descreveu que, de facto, é pertinente a reconstrução daquele muro de protecção.  

Por outro lado, defendeu que os investidores pretendem, nesta empreitada, contribuir para uma construção resiliente em face do actual cenário das mudanças climáticas, que já são uma dura realidade nesta urbe costeira, o que ficou claro com a ocorrência dos ciclones Idai, Chalane e Eloise, que provocaram luto e a destruição de infra-estruturas públicas e privadas incluindo habitações.

Relativamente à destruição do muro de protecção costeira da cidade da Beira, Manhoca defendeu que está a resultar na progressão da erosão, ameaçando sobremaneira a vida dos moradores principalmente ao longo da faixa marítima.

Como medidas de emergência, soubemos ainda junto de Manhoca que o Banco Alemão de Desenvolvimento (KFW) desembolsou um milhão de euros (71,74 milhões de meticais) que, durante seis meses, estão a ser aplicados na pavimentação da Avenida Mateus Sansão Muthemba, concretamente na zona da chamada Marginal.

A iminência deste perigo atingiu proporções alarmantes quando as águas do Oceano Índico destruíram as dunas naturais e artificiais e galgaram algumas moradias nos bairros residenciais de Ponta-Gêa e da Praia Nova.

Para o efeito, técnicos japoneses fizeram um mapeamento sobre riscos em causa, tendo realizado recentemente um estudo científico no qual ficou demonstrado que as águas do Oceano Índico subiram cerca de 30 centímetros nos últimos anos.

Apesar do esforço que tem sido feito para mitigar o fenómeno, a erosão continua devastadora estando a provocar graves problemas na zona alta costeira da Beira deixando temores que a cidade seja invadida pelas águas do mar num futuro não muito distante.

Entretanto, a autarquia está a estudar a eventual desactivação de alguns bairros residenciais, sobretudo a zona da Praia Nova que tem cerca de mil pessoas,  para reassentar os moradores noutras comunidades consideradas seguras.

O objectivo é minimizar os efeitos deste problema numa cidade construída abaixo do nível médio das águas do mar.

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