Reconstrução pós-“Idai” melhora Escola 12 de Outubro

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OITO novas salas de aula construídas de raiz foram entregues na terça-feira na Escola Primária Completa (EPC) 12 de Outubro, na cidade da Beira, em resposta às destruições causadas pelo ciclone Idai.

As obras foram financiadas pela Cruz Vermelha de Moçambique (CVM) e pela petrolífera sul-africana Sasol, que investiram mais de 8,7 milhões de meticais.

A empreitada incluiu o apetrechamento com 40 carteiras por sala de aula, melhorando significativamente a vida daquela comunidade escolar, que depois daquele temporal registado em Março de 2019 viveu momentos difíceis.

O governador de Sofala, Lourenço Bulha, manifestou-se satisfeito com a iniciativa e saudou o apoio dos parceiros de cooperação neste sentido.

Destacou ainda que com a construção de novas salas de aula estão assim melhoradas as condições de ensino-aprendizagem naquele estabelecimento público.

Com a reabilitação daquelas salas de aula a EPC 12 de Outubro passa a contar com 16, cobrindo um total de 3400 alunos da primeira à sétima classes.

Bulha apelou, por isso, a outros parceiros a seguirem o exemplo, porque – disse – a componente social reverte-se de capital importância.

O governador exortou ainda para uma melhor conservação das novas salas e das carteiras, com vista a garantir que os alunos estudem num ambiente condigno para melhor assimilação de matérias e alcance de um bom aproveitamento pedagógico.

Parceiros renovam compromisso

OS PARCEIROS do Governo que estiveram directamente envolvidos na reconstrução da escola afirmam-se determinados a cumprir os seus compromissos na ajuda de solidariedade.

O presidente da Cruz Vermelha de Moçambique, Avelino Mondlane, disse que a entrega das salas é resultado de um grande esforço e representa uma longa parceria entre ambos os promotores do acto, que se empenharam bastante de modo que o processo corresse nos trâmites almejados.

Mondlane pediu igualmente aos gestores da escola que conservem o estabelecimento, de forma que a mesma seja duradoura e sirva para outras gerações.

Já o director geral da Sasol, Ovídio Rodolfo, ressalvou que as iniciativas da sua instituição na área da educação incluem também acções como a atribuição de mais de 50 bolsas de estudo para dentro e fora do país, capacitação de professores em técnicas melhoradas de leccionação de ciências exactas, entre outras acções.

Segundo o director, a intervenção faz parte de um pacote de esforços conjuntos da reconstrução pós-“Idai” num valor de 650 mil dólares que incluía também a devolução às comunidades de Sofala e norte de Inhambane, com infra-estruturas como hospitais e escolas.

Ovídio Rodolfo reafirmou o compromisso da Sasol com Moçambique e assegurou que continuarão a trabalhar para a criação de um valor comum e promover o desenvolvimento das nossas comunidades.

Chamou particular atenção dos gestores e alunos para uma melhor conservação das salas de aula, bem como tirarem o seu maior proveito. “Acreditamos que daqui sairão melhores quadros que vão continuar a jornada de erguer um Moçambique mais próspero para todos”, sublinhou.

Em representação dos alunos, Mónica Araújo disse que antes do ciclone Idai, a EPC 12 de Outubro era precária e constituída por seis salas de aula, que foram destruídas completamente durante a sua passagem, transformando-as por conseguinte em ruínas.

Mostrou-se feliz com aquela conquista que, no seu entender, vai ajudar os alunos, tendo agradecido aos parceiros que tornaram possível a concretização do acto que há muito era esperado.

Por isso, prometeu que todos vão conservar as carteiras e salas de aula para que outras crianças também possam beneficiar das mesmas.

Professores reclamam  

pagamento de horas-extras

Professores queixaram-se na terça-feira, quando se celebrava a efeméride que lhes é dedicada, da falta de pagamentos de quatro meses de horas-extras e de turno e meio referentes aos meses de Outubro de 2020 a Janeiro de 2021, pelo trabalho extraordinário que vêm desempenhando nas diferentes escolas.

A reclamação foi apresentada pelo secretário provincial da Organização Nacional de Professores (ONP) em Sofala, José Saraiva, durante as celebrações do 40.° aniversário da organização.

Saraiva disse que a classe tem sido negativamente afectada em relação ao assunto e também outras como mudanças de carreiras profissionais, demora no pagamento de subsídios de funeral e de morte, estando pendentes, respectivamente,  434 e 60 casos.

Referiu que persiste a deficiência na assistência médica e medicamentosa, pensão de sobrevivência para os filhos dos professores já falecidos, falta de habitação condigna, entre outras inquietações.

Vincou que o Sindicato Nacional dos Professores tem pautado pelo diálogo, estabelecendo contacto permanente com o patronato para expor as inúmeras preocupações da classe.

Governo reconhece preocupações

O GOVERNADOR Lourenço Bulha acolheu e reconheceu as preocupações como legítimas da classe dos professores, adiantando haver esforços  relativamente aos processos administrativos, nomeadamente atraso no pagamento das horas-extras, mudanças de carreiras, promoções e progressões, entre outras questões.

Apontou que tais dificuldades são derivadas principalmente da exiguidade de recursos financeiros para o pagamento das remunerações do trabalho docente, em que se inclui  horas-extras e turno extra.

“Queremos que o expediente do funcionário público, particularmente do professor, tenha o devido tratamento e que tenha resposta em tempo útil”, comprometeu-se.

Por isso, afirmou estar consciente dos desafios que o sector enfrenta, destacando que com o apoio dos parceiros de cooperação tem vindo a desenvolver acções tendentes à melhoria das condições do trabalho docente.

Bulha aproveitou a ocasião para saudar e encorajar a todos os profissionais do sector da educação, de modo especial, aos professores que, apesar das difíceis condições impostas pela calamidade e a pandemia.

O dirigente espera que os professores continuem a implementar as novas metodologias por forma a garantir a continuidade das aulas e o cumprimento do programa de ensino, através do modelo combinado presencial e à distância com recurso às tecnologias de informação e comunicação.

Para o autarca da Beira, Albano Carige, os professores são trabalhadores resilientes e incansáveis, sendo que, apesar de estarem expostos aos desafios da pandemia da Covid-19, tem-se reinventado mesmo sem as mínimas condições, cumprindo com os objectivos do milénio que é a erradicação do analfabetismo.

Trata-se, para ele, de uma grande satisfação ver o professor transformar as dificuldades em oportunidades para melhor servir o país, com pilares das gerações futuras.

Carige apontou que a situação submeteu o professor ao desafio de elaborar estratégias de comunicação para garantir que os alunos ou estudantes tenham o nível de desempenho satisfatório, de acordo com o planificado, tomando em consideração o cumprimento das metas traçadas pelo sector.

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