Arcebispo Dom Alexandre é “património” da cidade

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O CORPO do cardeal Dom Alexandre José Maria dos Santos, que recentemente perdeu a vida, aos 103 anos, vítima de doença, foi ontem depositado no presbitério da Catedral de Maputo, onde fica o altar sagrado, a sua última morada, e passa a ser “património” desta Sé e da capital do país.

O último adeus àquele que ficou na história como o primeiro padre, bispo e cardeal moçambicano, ordenado sacerdote em 1953, teve a duração de mais de cinco horas e foi marcado por muitos momentos de emoção, cânticos e mensagens que, no fim do dia, constituem a mais alta expressão da cultura eclesiástica católica.

O bispo, pela sua grandeza, teve um funeral oficial, que contou com a presença de figuras de relevo da vida social, política, cultural e religiosa, entre os quais o Presidente da República, Filipe Nyusi, e os antigos estadistas Armando Guebuza e Joaquim Chissano.

Quem não pôde fisicamente, fez-se à Catedral de Maputo espiritualmente. É o caso do Papa Francisco, o líder máximo da Igreja Católica e do Vaticano, que enviou ao arcebispo de Maputo, Dom Francisco Chimoio, que dirigiu a missa de despedida, uma mensagem de condolências. Outros tantos acederam à cerimónia via televisão ou plataformas digitais visto que, devido a Covid-19, estavam reservados lugares para apenas 300 pessoas.

Antes de Dom Francisco Chimoio, que recordou o malogrado como uma figura bastante humilde, começar a celebrar a missa, o grupo Timbila Thato, de Zavala, terra natal de Dom Alexandre, brindou os presentes com diversos números. Não se chorava a morte do cardeal, mas festejava-se a sua vida e obra.

E porque o arcebispo emérito era celebrado dentro e fora da Catedral, a organização montou no seu interior uma tela gigante para mostrar todos os momentos da cerimónia, aos que não tinham o melhor ângulo de visão.

Dom Francisco Chimoio, grato pelos ensinamentos que adquiriu do cardeal, aproveitou a ocasião para tecer elogios, lembrando que não interessam os seus “103 anos de vida, mas o compromisso do seu baptismo” tanto que, “não ser falso” foi um dos seus maiores legados.

Conforme mandam as regras do catolicismo, depois da homilia, houve lugar à leitura de mensagens de diversos cantos do mundo que têm em comum o en grandecimento da vida e obra do malogrado.

Com efeito, Dom Alexandre foi, entre as décadas de 1970 e 1980, presidente e vice-presidente da Conferência Episcopal, constituída por todos os bispos católicos e impulsionador da da formação dos jovens, com a fundação da Universidade Católica de Moçambique (UCM) e da Universidade São Tomás de Moçambique (USTM).

O Presidente da República, Filipe Nyusi, no seu elogio fúnebre, falou igualmente da sua contribuição para a conquista da Independência, proclamada em 1975 e para a assinatura do Acordo Geral da Paz, em 1992, na cidade italiana de Roma, pondo fim à guerra dos 16 anos.

Este percurso valeu-lhe a nomeação, no governo de Armando Guebuza, para Conselho do Estado e, no seu último adeus, um funeral oficial. Assim, os homens da Forças Armadas de Defesa Moçambique (FADM) fizeram-lhe as honras, dando três salvas de espingarda, ao mesmo tempo que soavam os sinos da catedral, seguidos de vários cânticos e orações.

Nesta ocasião, prestadas as devidas vénias a Dom Alexandre o caixão descia à sepultura no presbitério da Catedral.

O primeiro cardeal moçambicano jaz ao lado do primeiro bispo de Lourenço Marques, Dom Teodósio Clemente de Gouveia (1889 – 1962), e na sua cripta está escrito “Servir e não ser servido”, lema que conduziu a sua vida e obra.

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