Djonasse pressionado clama por infra-estruturas

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A PROCURA de espaços para habitação, sobretudo por casais jovens, tem estado a pressionar várias zonas residenciais na província de Maputo, um dos quais é o bairro Djonasse, atractivo por se localizar junto a um dos principais eixos rodoviários, a Estrada Nacional Número 2, mas que carece de infra-estruturas para fazer face à demanda, nomeadamente água potável, electricidade, vias de acesso, escolas e unidades de saúde.

Djonasse tem 23 mil habitantes, divididos em 123 quarteirões, mais oito mil do que há cinco anos. O “Notícias” constatou que o bairro tende a ser ocupado de forma desordenada, sendo que parte dos residentes não tem acesso à água potável da rede pública, facto que leva os moradores recorrer aos camiões-cisterna. Os que que não têm condições pagam cinco meticais por cada recipiente de 20 litros.

O mesmo acontece com a energia eléctrica, cuja expansão aliviaria centenas de pessoas que clamam por estes serviços. Por outro lado, a falta de iluminação pública tem propiciado a criminalidade, sobretudo na calada da noite, altura em que os bandidos actuam impunes.

As vias de acesso, maioritariamente de terra-batida, estão em péssimas condições, dificultando a circulação dos residentes e, sobretudo, das viaturas de transporte de passageiros. Aliás, o único autocarro da Empresa Municipal dos Transportes Públicos de Maputo (EMTPM) que escalava o bairro deixou de fazê-lo devido à precariedade da via.

Assim, os residentes são obrigados a fazer entre cinco e seis quilómetros a pé, dependendo do ponto de partida, para ter acesso ao transporte, sobretudo as crianças, que não dispõem de uma escola secundária.

A precariedade das vias de acesso deve-se, em parte, aos camiões de transporte de inertes que fogem das básculas da Estrada Nacional Número 2 (EN2).

Apesar desta situação, Djonasse continua apetecível para habitação, testemunhando a construção de novas habitações, para além de ser um dos palcos da compra e venda de moradias e de terrenos.  

Moradores pedem serviços básicos

MORADORES do bairro Djonasse pedem mais infra-estruturas básicas como escolas, unidade sanitária e ampliação da rede de abastecimento de água e energia.

Joana Armando, de 44 anos, residente no quarteirão 13, disse que a água não jorra com regularidade na sua casa e, por não dispor de condições para a compra em grandes quantidades, gasta mais em recipientes pequenos.

“Das contas que fiz, gasto mais de dois mil meticais por mês só de água potável. Aqui no bairro Djonasse não temos fornecedores privados porque, tal como nos informaram, a água é salobre”, frisou.

Celeste Macamo, de 55 anos, residente no mesmo quarteirão, entende que se o bairro tivesse vias de acesso em condições, a vida podia melhorar porque os carros de transporte de passageiros podiam entrar facilmente.

“É verdade que falta um pouco de tudo aqui na nossa zona, mas com o transporte a operar normalmente podíamos procurar facilmente serviços noutros bairros. A falta de transporte público, no meu entender, é o principal problema”, disse.

Ramos Nguambe, de 38 anos, residente no quarteirão 21, afirma que a falta de unidade sanitária constitui a principal preocupação, pois, em caso de doença, são obrigados a fazer longas distâncias para ter acesso a uma unidade sanitária.  

“Os partos fora das instituições têm estado a aumentar porque algumas mulheres grávidas não conseguem chegar à maternidade”, frisou.

Os residentes desta zona residencial também pedem mais patrulhamento policial para fazer face à criminalidade, sobretudo na calada da noite.

Rita Mazive, de 28 anos, residente no quarteirão sete, disse que é frequente a ocorrência de assaltos na via pública, residências e estabelecimentos comerciais.

Clarificou que já foi vítima de assalto na sua residência, em que retiraram diversos bens, com destaque para utensílios domésticos, peças de vestuário e electrodomésticos.

Jaime Barbosa, de 25 anos, residente no quarteirão cinco, afirma que é estudante do curso nocturno e já presenciou assaltos na via pública quando regressava da escola.

“Se a Polícia fizesse patrulha à noite, a criminalidade podia reduzir. Muitos estudantes não assistem às últimas aulas porque devem regressar um pouco cedo à casa por temerem assaltos”, frisou.

Porém, Fenias Tembe, chefe do quarteirão 16, classifica o bairro de calmo e com ocorrência de poucos casos de criminalidade. A tranquilidade, segundo suas palavras, começou a fazer-se sentir no fim do ano passado com a entrada em funcionamento de um posto policial.

Tembe referiu que a água potável jorra, mas com pouca pressão, sendo que as residências localizadas em zonas altas são as que mais sofrem.

O chefe do quarteirão 16 disse que a via de acesso será melhorada e os trabalhos vão arrancar ainda este ano, sendo que até ao fim do primeiro trimestre de 2022 vai retomar a circulação de autocarros.

Para breve mais água e electricidade

MÁRIO Mavie, secretário do bairro Djonasse, afirma que a provisão de água e de energia eléctrica tem estado a melhorar nos últimos tempos.

“É verdade que ainda há muitas famílias sem água e energia, mas a situação tende a melhorar, sobretudo com os novos investimentos feitos pelas empresas fornecedoras”, indicou.

Acrescentou que, ainda este ano, a Electricidade de Moçambique e o Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG) vão estender os serviços para mais pessoas.

“Temos mais de 40 quarteirões sem água, mas já estamos a trabalhar para melhorar. Serão colocados tanques em algumas zonas para que esta chegue às famílias com pressão”, frisou.

O melhoramento das vias de acesso, no seu ponto de vista, pode melhorar sobremaneira a vida das famílias porque a mobilidade ficará facilitada para ligar a outros pontos.

Relativamente à criminalidade, o secretário acha que a situação melhorou bastante porque é possível ficar-se uma semana sem ouvir nenhum caso, situação que não acontecia nos anos passados.

A construção de uma escola secundária também é uma preocupação, pois as crianças do bairro recorrem a outras zonas para ter acesso à este nível, nomeadamente na zona da Mozal.

Situação criminal calma

O COMANDANTE da 2.ª Esquadra da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Djonasse, Noémio Sitoe, caracteriza a situação criminal na sua zona de jurisdição como sendo calma.

Admite a existência de pequenos delitos como furtos, roubos, violência doméstica e agressão física, mas a Polícia tem estado activa na sua missão de garantir a ordem pública.

“Quando esses crimes são reportados, fazemos o devido seguimento e temos conseguido esclarecer. Esporadicamente, registam-se assaltos a residências e estabelecimentos comerciais”, disse.

Noémio Sitoe clarificou que havia um grupo de assaltantes que aterrorizava Djonasse, mas quando esta unidade policial entrou em funcionamento conseguiu desmantelar a quadrilha. Dois dos integrantes foram capturados, responsabilizados e julgados pelos seus crimes.

“Temos feito patrulha em vários pontos do bairro e mantemos contacto com a comunidade. Recebemos informação sobre algumas situações e, na medida do possível, respondemos positivamente”, disse.

Walter Mbenhane
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