POSSULANE: A esperança que vem da “lixeira”

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TREZENTAS famílias vítimas de desabamento da lixeira de Hulene, em Fevereiro de 2018, serão brevemente reassentadas no bairro Possulane, na província de Maputo. A chegada destes novos habitantes cria expectativas entre os nativos deste bairro do distrito de Marracuene, quanto ao desenvolvimento da zona, em termos de infra-estruturas sociais básicas, como escolas, hospitais, estradas ou mercado.

As obras das casas estão a mais de 80 por cento de execução, o que satisfaz os reassentados, que há três anos aguardam por casa própria. Neste momento, os trabalhos compreendem a montagem de loiça sanitária, do tecto falso, pintura, montagem de portas e janelas de cerca de 100 habitações.

A este ritmo, segundo um dos empreiteiros, Gerson Pirlo, será possível concluir e entregar as residências até ao fim deste ano.

“Não podemos ter certeza absoluta, porque somos três empreiteiros e cada um tem a sua dinâmica, porém, todas as obras estão numa fase conclusiva”, disse.

Os moradores de Possulane disseram ao “Notícias” que a chegada destas famílias pode acelerar o desenvolvimento do bairro.

“É uma zona nova, com poucos habitantes, por isso, acreditamos que o Governo será ainda mais pressionado a resolver preocupações básicas como construir escolas e unidade sanitária”, referiu um dos residentes que se identificou como Paulo Ricardo.

Opinião idêntica é de Maria Zacarias, segundo a qual a electrificação de alguns quarteirões próximos do local do reassentamento é uma conquista.

“Desde que arrancaram as obras, os trabalhos de electrificação ganharam dinâmica”, disse.

Acrescentou que o Governo prometeu aos reassentados e aos residentes locais mais fontes de abastecimento de água potável, hospitais, estradas e mercado.

“Há anos que as autoridades administrativas não visitavam este local para se inteirar dos anseios dos residentes, situação que mudou desde o dia do lançamento do projecto de construção de casas” para as vítimas de desabamento da lixeira do Hulene, sublinhou.

O difícil acesso às instituições do ensino 

A FALTA de escolas constitui uma das maiores preocupações dos moradores do bairro Possulane, facto que faz com que as crianças tenham que percorrer à pé cerca de quatro quilómetros para chegar ao estabelecimento do ensino situado nas proximidades da Estrada Nacional Número Um (EN1).

A Escola Primária do 1.º e 2.º Grau de Mbalane, com um efectivo de cerca de 1700 alunos, para além de acolher crianças de Possulane, tem sido alternativa para os moradores de Pazemane.

Esta zona residencial precisa também de uma instituição pública do ensino secundário, porque, após a conclusão da 7.ª classe, os alunos são afectados, muitas vezes, em escolas da vila de Marracuene, a cerca de 10 quilómetros.

Por causa disso, Lídia Rafael, residente, afirmou que por dificuldades financeiras dos pais e encarregados de educação, algumas crianças não prosseguem com os estudos porque não têm condições de pagar o transporte para escola.

“Os nossos filhos percorrem quilómetros até à EN1, onde tomam o transporte para chegar às escolas secundárias”, indicou.  

Acrescentou que a chegada das famílias reassentadas, por um lado, agrava a situação da falta de vagas na única escola comunitária existente na zona.

“A situação pode forçar o governo distrital a construir escola secundária para que todos os residentes tenham acesso ao ensino”, admite.

Moradores pedem pavimentação da via de acesso

OS residentes do bairro Possulane ficaram animados quando, em Junho, arrancou a pavimentação da rua que vai da EN1 à Pazimane.

“Todos estávamos esperançados, acreditávamos que tal significava o fim do sofrimento, visto que quando chove a circulação fica condicionada”, referiu Telson Ricardo, um dos moradores.

Porém, ficaram surpreendidos quando, dias depois, as obras pararam, após a pavimentação de um troço de apenas meio quilómetro. A expectativa dos residentes é que seja pavimentada toda a estrada para minorar o sofrimento no tempo chuvoso.

Francisco Zevo, residente no bairro, disse que ainda não perdeu esperança de ver concretizado o desejo dos moradores. Explicou que o principal problema deste troço é do escoamento das águas pluviais, daí que qualquer intervenção deve incluir a construção de valas de drenagem.

Alice Constantino, também moradora, referiu que o Governo devia dar prioridade no melhoramento da via, pela importância que tem para os residentes de Pazimane, Possulane e outros bairros.

“Assim que estamos na época chuvosa, temos somente os ‘my love’, porque a via fica alagada”, lamentou.

Crescimento populacional deve ser acompanhado de infra-estruturas

POSSULANE, com cerca de quatro mil habitantes, regista um crescimento, que segundo o secretário do bairro, deve ser acompanhado pelo provimento de infra-estruturas sociais, como escolas, centro de saúde e mercado.

André Moiane explicou que em caso de doença, os residentes recorrem aos centros de saúde da vila de Marracuene ou de Bobole, um percurso que não tem sido fácil, principalmente nos dias chuvosos.

“É penoso depender de ‘my love’ para chegar ao destino. Infelizmente, ainda enfrentamos dificuldades como esta”, lamentou.

Em relação ao mercado, percorre-se cerca de quatro quilómetros até ao que está na EN1, que pertence a outro bairro residencial.

“Refiro-me ao Mercado Massinga, improvisado para integrar vendedores informais retirados das ruas e passeios da vila de Marracuene”, afirmou.

O mercado Massinga ainda não dispõe de condições sanitárias para a actividade. Não tem fontes de abastecimento de água bem como contentores para o lixo.

Para minimizar as preocupações, o secretário disse que tem mantido contacto com empresários e organizações que manifestam interesse em investir tanto no ramo da educação como na saúde.

“Muitos aparecem com projectos que podem desenvolver Possulane e não podemos fazer nada senão facilitar a comunicação com o governo de Marracuene”, afirmou.

Acrescentou que, com a chegada das vítimas do desabamento da lixeira, o número de habitantes irá aumentar, o que, esperam, pode acelerar o provimento de infra-estruturas básicas.

Entretanto, o Município de Maputo continua a pagar o subsídio de mobilidade temporária às 265 famílias vítimas do desabamento da lixeira de Hulene, em Fevereiro de 2018, uma tragédia que provocou a morte de dezasseis pessoas, das quais sete crianças.

O presidente do Município, Eneas Comiche, disse, semana passada, que o término do pagamento está dependente do fim das obras das casas em Possulane. 

Carlos Macuácua
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