“MEIA VIA”: Onde se cruzam os caminhos da compra e venda de mariscos

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RAHAIA JAMAL

A CIDADE de Nampula está a duzentos quilómetros da costa, mas um dos principais alimentos consumidos por várias famílias são mariscos e peixe que, preparados de maneiras diferentes, acompanham uma das duas principais refeições.

Foi pensando no negócio que um grupo de munícipes, que se dedica no negócio de mariscos frescos, decidiu construir um pequeno mercado, na zona da “Meia Via”, no bairro de Namutequeliua.

Nos dias que correm, todos os caminhos vão dar à “Meia Via”, por diversidade de produtos que oferece para a venda e relativa acessibilidade dos preços.

Este novo mercado, que oferece produtos frescos, entrou em funcionamento no mês de Setembro e resulta de consensos e contribuições dos vendedores, que vendo a rentabilidade do negócio, preferiram praticar em ambiente formal e condigno.

A nossa Reportagem, que visitou o mercado esta semana e interagiu com os vendedores ficou a saber que antes da sua construção, a comercialização do pescado era feita em plena rua e em condições deploráveis, facto que constituía um autêntico perigo para os consumidores, pela falta de condições higiénicas.

“Vendíamos no chão, púnhamos um plástico por baixo e o produto ficava exposto ao sol, com risco de se deteriorar, para além do perigo que os vendedores corriam de ser atropelados”, disse um dos vendedores.

Uma parte considerável do produto pesqueiro que é vendido no mercado “Meia Via” tem como origem a Ilha de Moçambique e Mossuril para além da parte sul da província, nomeadamente Moma e Angoche.

“Há pessoas que vão comprar o produto nestas zonas em grandes quantidades e revendem-nos”, disse um dos comerciantes.

James dos Anjos, revendedor de marisco, é gestor do mercado e explicou ao nosso Jornal que o anterior local onde comercializavam os produtos, próximo da zona conhecida por Agricom, era impróprio daí que se organizaram para erguer a actual infra-estrutura.

“Pedimos o presidente, Paulo Vahanle, numa altura em que ele visitou o antigo mercado de venda do pescado, que nos cedesse espaço para exercermos condignamente as nossas actividades”, disse.

Mariamo Ussene, a única mulher vendedora de marisco fresco, secundou a ideia do seu colega e reiterou que o negócio é sustentável tendo em conta que regista, sobretudo no novo local, fluxo de clientes.

“O tipo de peixe que mais vendemos é garoupa, cherewa, pedra, vermelhão, bem como lula, camarão e polvo, tudo fresquinho. Não vendemos nada congelado”, disse Ussene.

Ussene explicou ainda que existe uma boa coordenação entre os membros do grupo. “Quando o meu cliente quer um tipo de peixe que não tenho levo do meu colega e depois acerto as contas”, precisou.

Lipe Filipe, outro vendedor de marisco, diz que está satisfeito porque até alguns restaurantes firmaram acordos com ele sobre determinados produtos. “Existem clientes que exigem peixe/marisco de qualidade e quando temos, vendemos a eles”, concluiu.

Duplo pagamento não asfixia

O GRUPO de vendedores do mercado da “Meia Via”, suporta um duplo pagamento diário pela actividade que vem prestando.

Por um lado porque o local onde construíram o mercado pertence a um privado, cada membro contribui diariamente com 60 meticais, valor que é depositado na conta do proprietário do espaço e por outro, todos têm de pagar a taxa diária de 10 meticais ao Conselho Municipal de Nampula.

Pela construção do mercado, James dos Anjos não quis revelar o valor gasto ou mesmo a contribuição de cada componente do grupo, mas assegura que todos participaram tendo em conta a sua capacidade.

O grupo é composto por vários vendedores e não reclama o pagamento diário porque acha que é uma obrigação justa, mas advertem que o município tem de fazer alguma coisa em seu benefício tendo em conta as taxas que pagam.

Município apoia com chapas de zinco

O CONSELHO Municipal de Nampula, conforme explicou o gestor do mercado James dos Anjos, prestou o seu apoio na construção do mercado ao disponibilizar um total de 50 chapas de zinco, que serviram para a cobertura do mercado.

“O material usado nesta obra, tal como cimento, pedras, varões, barrotes e outros proveio das contribuições dos vendedores, incluindo o pagamento dos pedreiros”, explicou o gestor.

Para além do mercado, foram construídas duas casas de banho com vista a assegurar a higienização dos vendedores e os utentes do mercado.

O gestor do mercado disse ser pretensão da edilidade, nos próximos tempos, ampliar o mercado, um desiderato que será concretizado dependendo do número de vendedores que ali existir.

O chamamento para iniciativas do género

O GESTOR e vendedor de marisco, James dos Anjos, lançou um apelo aos vendedores de rua, sobretudo os jovens sem emprego, no sentido de abraçar este tipo de iniciativa de construção de mercados sem esperar pelo Conselho Municipal.

“Juntem-se e contribuam para construírem mais espaços como este”, apelou, condenando os vendedores que abandonam alguns mercados existentes nos bairros da cidade, alegadamente por falta de clientes.

“Quando o trabalho for de qualidade, com higiene e produtos de qualidade, as pessoas vão comprar.”, aconselhou.

Explicou que a melhor publicidade para as pessoas conhecerem os mercados e aderirem é vender produtos de qualidade e manter a higiene e convidou aos vendedores de pescado que o fazem nas ruas a se aproximarem da “Meia Via”.

“Ainda temos espaço. Basta aceitar as nossas regras vamos integrar e dar uma banca para fazer o seu negócio”, finalizou.

ADD///: Clientes satisfeitos

ALGUNS clientes abordados pela nossa Reportagem dizem estar satisfeitos com as condições do mercado porque permite adquirir produtos frescos e de boa qualidade, e a um preço competitivo.

Paula Fernando, cliente de peixe, contou que no fim-de-semana prolongado esteve em Mossuril (zona costeira) e encontrou peixe a ser vendido ao preço de 300 meticais. Preferiu não comprar porque neste mercado consegue adquirir entre 200 e 250 meticais por quilograma.

“Até o peixe está mais caro la na costa. Então melhor comprar aqui na cidade”, desabafou.

Osvaldo Gregório, cliente do mercado, parabenizou o grupo que criou o mercado porque já não ficam expostos ao sol e o benefício é para todos os munícipes.

“Antes, o peixe era colocado no saco e depois no chão o que era muito lamentável para nós que somos consumidores”, disse Gregório.

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