Melhora consciência sobre direitos da pessoa com deficiência

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O NÍVEL de consciência sobre o respeito dos direitos da pessoa com deficiência física ou visual está a permitir melhor socialização deste grupo nos últimos tempos na cidade de Nampula.

Esta avaliação positiva é resultado de campanhas de sensibilização nas comunidades realizadas pelo Fórum das Associações dos Deficientes de Moçambique (FAMOD), Associação dos Cegos e Amblíopes de Moçambique (ACAMO) e os respectivos parceiros privados de cooperação que trabalham no apoio e proteccão dos direitos da pessoa com deficiência.

Tais campanhas contribuíram para que este grupo social fosse respeitado, sobretudo nas comunidades. Há algum tempo, a pessoa com deficiência física ou visual era vista como sendo inútil e, por isso, excluída, por exemplo, de concursos públicos para o ingresso no mercado de trabalho.       

O secretário-executivo provincial da Associação dos Deficientes de Moçambique (ADEMO), Ali Afito, explicou que, actualmente, o cenário mudou porque algumas entidades governamentais e singulares já perceberam que a pessoa com deficiência é um ser humano com capacidades para realizar actividades que contribuam para o desenvolvimento e crescimento da economia do país.

Rafique Salimo, membro desta agremiação com os membros inferiores paralisados após um acidente e viação em 1982, disse que no meio social onde reside as pessoas têm respeitado os seus direitos.

Salimo explicou que o respeito à pessoa com  deficiência parte do princípio de reciprocidade, em que qualquer um deve considerar e respeitar o outro, independentemente da sua condição física e financeira.

Não obstante este reconhecimento pela sociedade em geral, persistem alguns desafios como a inexistência de rampas em alguns estabelecimentos públicos.

Algumas infra-estruturas públicas, incluindo unidades sanitárias e estabelecimentos de ensino, não têm rampas para facilitar o acesso da pessoa com deficiência.

Para além de falta de rampas, estas instituições não têm sequer corrimãos para servir de apoio ao acesso. Ali Afito explicou que não existem, nestes locais, casas de banho com padrões internacionais adaptadas para pessoas com deficiência.

O secretário da ADEMO manifestou-se, por outro lado, preocupado com a insuficiência de professores formados em língua de sinais para leccionar o sistema braile no Centro de Recursos de Educação Inclusiva (CREI) do posto administrativo de Anchilo, o único estabelecimento de ensino deste tipo existente nos arredores de Nampula.

O interlocutor afirmou que o Centro de Recursos de Educação Inclusiva, que serve às províncias de Nampula, Niassa e Cabo Delgado, não tem capacidade para albergar grande número de pessoas com deficiência.

Semicolectivos praticam exclusão

OS transportes semicolectivos de passageiros de diferentes rotas na cidade de Nampula são acusados de praticar exclusão a pessoas com deficiência física e visual, por não reunirem condições para a sua acomodação.

Mesmo que tenham os respectivos meios de compensação, segundo explicou o secretário da ADEMO, dificilmente as pessoas com deficiência são aceites nos transportes semicolectivos de passageiros.

“Posso assegurar que os ‘chapeiros’ não levam pessoas com deficiência física com cadeiras de roda. Pura e simplesmente ignoram e proíbem que entrem na viatura”, frisou.

Para inverter este triste cenário, os deficientes físicos, em coordenação com a Direcção Provincial do Género, Criança, e Acção Social, estão a sensibilizar os automobilistas nas cidades de Nampula e Nacala-Porto e no distrito de Meconta a considerarem e respeitarem a pessoa com deficiência no exercício da sua actividade.

“É um trabalho difícil, mas vamos insistindo”, assumiu Afito, defendendo que para estancar este problema é necessário um forte envolvimento e apoio dos deputados da Assembleia da República, no sentido de criarem normas e instrumentos que punam com severidade a violação dos direitos da pessoa com deficiência.

“Se eu for à rua agora e for impedido entrar num autocarro de passageiros, não sei a quem encaminharei a queixa para que o autor seja responsabilizado”, disse Afito.

Projectos que mudam a vida

AS pessoas com deficiência enfrentam muitas dificuldades no seu dia-a-dia. Porém, a cidade de Nampula tem sido exemplo em projectos de empoderamento económico que têm estado a mudar a vida dos membros da Associação dos Deficientes de Moçambique (ADEMO), uma agremiação que sobrevive de doações de parceiros.

Exemplo disso são os projectos de sapataria, alfaiataria e serralharia, desenvolvidos por alguns dos membros nas instalações da associação.

Em todas estas áreas, segundo apurou a nossa Reportagem, os deficientes físicos prestam serviços aos clientes a troco de pagamento de determinado valor monetário que lhes garante o seu sustento e das suas famílias.

Amade Napire, um dos alfaiates com dificuldade visual integrado na ADEMO, disse que a actividade de corte e costura conheceu fraco movimento depois da eclosão da pandemia da Covid-19, sobretudo quando as aulas presenciais foram suspensas, porque deixou de costurar uniforme escolar.

“Antes da Covid-19, quando as pessoas iam às festas de aniversários, casamentos e datas comemorativas, o movimento de clientes aqui era intenso. O serviço de alfaiataria tem muita procura em função dos eventos comemorativos e/ ou no arranque de cada ano lectivo escolar”, disse Napire.

Explicou que a alfaiataria não se equipara a outros ramos, como serralharia, mecânica e construção civil, que têm registado movimento considerável em todas as épocas do ano.

Além de concertar calçado danificado, o projecto de sapataria da ADEMO também vende novas sandálias e chinelos produzidos localmente com pneus usados.

Sem entrar em detalhes, a fonte disse que a produção de sandálias ortopédicas tem estado a registar ganhos significativos.

Rahaia Jamal
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