UMA NOVA ACTIVIDADE- Reaproveitar lixo para sobreviver

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O DESENVOLVIMENTO das cidades traz consigo novos modos de vida. Em Nampula disputa-se o reaproveitamento do lixo, algo que até há bem pouco tempo era visto com desdém.

Homens e mulheres são vistos nos centros de deposito do lixo para de lá retirarem resíduos sólidos reaproveitáveis como vidro, plástico, papelão e metais, que depois de separados são vendidos em locais predefinidos.

Os catadores de lixo afirmam que a actividade de venda de resíduos sólidos reaproveitáveis é um negócio que gera rendimento e garante o auto-sustento.

A reportagem do “Notícias”, que esta semana visitou algumas lixeiras da praça, apurou que os catadores se sentem satisfeitos pelo seu envolvimento neste tipo de actividade, que segundo eles é vista como legal.

Este grupo de catadores de resíduos sólidos reconhece que a actividade é exercida em péssimas condições devido ao cheiro nauseabundo proveniente dos contentores de lixo onde os munícipes depositam produtos deteriorados, entre outros, o que coloca em risco à sua saúde.

Apesar desta situação, o grupo diz não ter alternativa e que por isso vê-se obrigado a abraçar esta actividade para garantir o seu auto-sustento.

O preço de venda do material reaproveitável, como peças de viaturas, material plástico usado para reciclagem nas empresas de fabrico de baldes, cadeiras e outros utensílios, segundo disseram, depende da negociação com o cliente interessado.

Faizal Assane, catador há dois anos na Av. Josina Machel, disse em entrevista à nossa Reportagem ter abandonado o distrito de Murrupula, sua terra natal, para fixar-se na cidade de Nampula em busca de melhores condições de vida, o que veio a falhar por falta de oportunidades de emprego.

Passado alguns anos, viu-se forçado a abraçar a vida de catador como forma de sobrevivência.

“Temos muitos clientes, alguns deles procuram materiais plásticos para reciclar”, disse Assane, sustentando que às vezes tem muitos clientes.

Jaimito Juma, de 15 anos, catador de lixo, disse ter abandonado a escola na terceira classe para abraçar esta actividade por falta de condições financeiras, na sequência da perda de vida do pai.

O pouco que ganha proveniente da actividade, conforme disse, ajuda a mãe nas despesas de casa.

“Há pouco tempo vendi uma quantidade de alumínio que me valeu 1500 meticais, e parte do valor ajudei a minha mãe nas despesas de casa”, disse Juma.

Ser catador para distanciar-se do crime 

O GRUPO de catadores afirma que preferiu abraçar esta actividade para não se envolver no mundo do crime, por falta de fonte para o seu sustento.

Segundo disseram as nossas fontes, o envolvimento de um determinado cidadão no mundo do crime tem sempre um fim lastimável.

Juma Artur, natural de Mogincual, disse ter abraçado esta actividade por falta de oportunidades de emprego. Explica que esta actividade tem rendimento, uma vez que é nele que consegue o seu sustento.

“O meu trabalho é seleccionar o lixo para depois vender a pessoas interessadas. Alguns pensam que sou maluco, o que não é verdade”, desabafou.

Abdul Armandinho, catador, disse ter abraçado esta actividade para abster-se da criminalidade, uma vez que, o pouco que consegue tem ajudado a sustentar a sua família.

“Tenho minha residência, apenas venho para este local para catar o lixo e vender para sustentar a minha família”, disse.

Governo deve ceder lugar

OS catadores na cidade de Nampula pedem ao governo provincial ou a edilidade local um espaço adequado para exposição e venda de produtos adquiridos da sua actividade.

Este pedido segundo explicaram, surge por causa das constantes ameaças de expulsão deste grupo, na avenida Josina Machel, onde funciona o armazém da empresa Fundo do Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG).

Juma Artur, integrante do grupo, afirma que o governo deve criar oportunidades de emprego para os catadores de lixo. “Temos alguns colegas que são serralheiros, mecânicos, electricistas, mas não exercem a actividade por falta de emprego”, sublinhou Artur.

Para Abdul Armandinho, se o governo ceder um espaço, esta actividade será desenvolvida com tranquilidade.

Maustratos dos agentes da PRM

O GRUPO de catadores denunciou casos de maus-tratos protagonizados por alguns membros da PRM, principalmente à noite.

Juma Artur, que denunciou o caso, disse que recentemente foram recolhidos para a 1.ª Esquadra, onde ficaram detidos durante três dias.

Segundo o jovem, o trabalho da Polícia é garantir a segurança e tranquilidade públicas e não deter pessoas inocentes tal como aconteceu com o grupo.

A mesma ideia foi corroborada por Jaimito Juma, que criticou a actuação dos agentes da Polícia.

“Eles confundem-nos com marginais enquanto não somos, isto é muito mau, estes polícias sabem que não fazemos mal a ninguém senão nos dedicarmos ao lixo que é depositado neste local”, disse Juma.

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