CISM NO COMBATE À MALÁRIA: Uma década de luta pela Vacina

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O CENTRO de Investigação em Saúde da Manhiça (CISM), congratula-se pelo anúncio feito há dias, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda o uso massivo da vacina contra malária em crianças, a partir dos cinco meses de idade.

Trata-se de um trabalho que contou, numa primeira fase, com o envolvimento de pesquisadores nacionais afectos à investigação no distrito da Manhiça, província de Maputo.

Segundo Pedro Aide, investigador e coordenador da área da malária no CISM, foi em parceria com diferentes com diferentes instituições nacionais e internacionais que o Centro da Manhiça vem trabalhando, há mais de uma década no desenvolvimento da vacina contra a malária, internamente designada RTS,S.

Tudo começou em em 2002, altura em que o CISM efectuou o primeiro ensaio que mostrou a eficácia desta vacina e que ditou o segmento dos ensaios posteriores. Um dos quais, explica, decorreu em 11 centros africanos, localizados em oito países de África: era o ensaio de fase-3, que demonstrou também a segurança, eficiência e eficácia da vacina, o que ditou a sua implementação massiva em África, para a prevenção da malária.

“Após os resultados do estudo da fase-3, a OMS recomendou a implementação de um programa-piloto de vacinação que decorreu em três países nomeadamente Gana, Quénia e Malawi, uma fase que provou, mais uma vez, a eficácia da vacina em 36%  desta vacina, no topo de outras ferramentas como a pulverização intradomiciliária, o uso de redes mosquiteiras. Foi nesta senda que a organização divulgou, recentemente, a recomendação do uso massivo da vacina RTS,S”, explicou Aide.

O estudo realizado nos três países, foi feito em coordenação com a GlaxoSmithkline Baiologicals, a produtora da vacina, e financiado pela Fundaçao Bill e Melinda Gates     

Um orgulho para o CISM

O anúncio da recomendação para o uso da vacina, pela OMS, é um orgulho para o CISM que este ano completou 25 anos de sua existência e que vem trabalhando na investigação visando o combate da malária no país, defende Pedro Aide.

Destacou outros passos dados pelo Centro da Manhiça nestes anos de trabalho em prol da saúde de um modo geral, e do combate à malária, em particular, com destaque  na componente epidemiológica, realização de ensaios clínicos, ferramentas preventivas, diagnósticas e terapêuticas.

“Vale a pena destacar, hoje, algumas contribuições do Centro nos últimos 25 anos, a destacar os primeiros ensaios sobre a eficácia terapêutica das combinações usadas para o tratamento da malária em Moçambique, que ditaram a mudança da administração da cloroquina para combinações derivadas da artimisina; ensaios clínicos de combinação do tratamento preventivo intermitente da malária em crianças, que também resultaram na adopção desta estratégia, pela OMS, em 2010, assim como o nosso trabalho para a vacina RTS,S, cujo uso massivo foi recomendado pela OMS e que chegará ao berço de muitas crianças”, disse.

O orgulho do CISM nestes 25 anos de existência, reside não só no fcato de ter sido pioneiro na pesquisa da vacina hoje recomendada pela OMS, como também na pesquisa clínica e a realização do projecto em Magude, onde fez a a avaliação de uma combinação da administração massiva do tratamento e pulverização intradomiciliária para a prevenção da malária, em crianças e adultos. 

Destaca o papel do CISM rumo à excelência na investigação

Para o Presidente do Conselho de Administração do CISM, Leonardo Simão e membro de diferentes órgãos consultivos consultivos da malária, esta notícia destaca a importância dos esforços que o Centro está a fazer, para garantir a excelência na investigação em África, através do reforço de capacidades visando a realização de ensaios clínicos com rigor suficiente, para atender os mais altos padrões de qualidade internacionais.

Internamente, a malária continua a ser uma das principais preocupações para o sistema Nacional de Saúde, sendo Moçambique, um dos seis países que concentram a metade dos casos de malária em todo o mundo, tal como referiu do director-geral do CISM, Francisco Saúte, em conferência de imprensa, citando dados do relatório mundial da malária da OMS.

A região africana é a mais afectada pela doença, que concentrou, em 2018, cerca de 93% dos casos(213 milhões) seguida da região Sudeste Asiático(3,4%) e da região do Mediterrâneo Oriental(2,1%).

“A adição da vacina RTS,S às intervenções actualmente recomendadas para o controlo da malária pode salvar dezenas de milhares de vidas anualmente, e reduzir a mortalidade infantil em África”, frisou Saúte.  

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