CONFLITO HOMEM/FAUNA BRAVIA: Hienas geram terror entre criadores da Moamba

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EDÍLIA MUNGUAMNE

PARTE do distrito da Moamba, província de Maputo, vive momentos de pânico, face a frequentes ataques de hienas em diferentes povoados, que têm como alvo preferencial os gados bovino e caprino. 

Segundo os criadores, trata-se de um problema antigo, com tendência a agravar-se, dado o volume de prejuízos já causados.  

Em entrevista ao “Notícias”, relataram que as hienas aproveitam-se do período em que os animais, sobretudo cabritos, vão ao pasto para atacar e devorá-los, por serem de porte mais pequeno que os bovinos.  

Jorge Lucas, criador há 17 anos e residente no povoado de Muchia, contou que  perdeu 10 cabritos devido aos ataques dos animais bravios, que se presume serem provenientes da República da África do Sul. 

“As hienas estão a matar muitos animais. Há criadores com efectivos de gado reduzidos depois da acção dos felino. Estamos desesperados”.

O criador pediu a intervenção das autoridades competentes, porque muitos criadores estão a somar prejuízos na comunidade de Muchia e não só, e já equacionam abandonar a actividade.

Lucas disse que no início aparecia uma hiena, que atacava, em média, um a dois cabritos. Mas agora andam em alcateia, o que dificulta a acção de afugentamento por parte dos pastores e proprietários do gado.

Para além destes animais, o criador conta que perdeu nos últimos anos 17 cabritos e 10 bois em resultado da acção de águias e crocodilos.

“Sons e luzes assustam hienas”

SOLOMONE Zucula, criador há 22 anos, explicou que, na sua maioria, os criadores não dispõem de equipamento adequado para afugentar os predadores, sendo a alternativa encontrada o recurso ao som e luzes.

“Tentamos afugentar as hienas quando elas se aproximam dos currais recorrendo a bidões e estacas para a emissão do som e lanternas improvisadas, como forma de os assustar. É verdade que os animais ficam intimidados na hora e saem em debandada, mas trata-se de um paliativo cujo efeito é de curta duração, pois dias depois eles regressam aos pastos e até aos currais”, explicou.

O criador referiu que a outra forma de conter a onda dos ataques é por via de cães, que alertam em caso de aproximação de elementos estranhos ao meio.

Acrescentou que já não há tranquilidade no povoado, porque quer de dia, quer à noite, os animais bravios aparecem, exigindo-se assim uma atenção redobrada e permanente no controlo do gado.  

Zucula disse ser difícil afugentar os predadores, porque muitos criadores não dispõem de equipamentos sonoros e/ou luminosos para o efeito, muito menos armas de caça. “Aqui há criadores que perderam quase tudo”, sublinhou.   

Com 48 cabeças de gado bovino e 40 caprinos, Zucula receia ver o número ainda mais reduzido, caso os ataques das hienas prevaleça.

À semelhança de Lucas Jorge e Solomone Zucula, Fernando Mathe, criador há 15 anos, residente no povoado de Nhonquene, é também vítima dos ataques das hienas, tendo perdido, este ano, sete cabritos.  

Mathe conta com a ajuda das suas duas esposas para expulsar as hienas, uma vez que a sua residência situa-se distante das outras.

Geralmente as hienas são mais activas ao entardecer e ao amanhecer mas os que aterrorizam na Moamba caçam as suas presas a qualquer hora do dia, o que torna o controlo mais difícil, segundo explicou Mathe.

“Estamos a sofrer com este problema. Quando as hienas aparecem eu e as minhas mulheres expulsamo-nas com o som de bidões e com o barulho elas fogem”, sublinhou.

Trata-se de um método usado pelas comunidades, mas de curta duração, apesar do seu efeito imediato. É que depois de se familiarizarem com o barulho os predadores perdem o medo. Na óptica dos criadores, deviam ser usados outros métodos combinados e mais duradouros.

Fernando Mathe apontou que os animais jovens ou doentes e as fêmeas prestes a parir são mantidos em confinamento na maior parte do dia e os restantes levados para a área de pasto e mais protegidos com a possibilidade de serem vigiados com mais cuidado.

“Devemos sempre escolher os pastos e percursos mais seguros, sobretudo no período em que os animais são mais vulneráveis ou em condições climáticas adversas”, frisou.

Pediu uma rápida intervenção das autoridades, antes que a situação atinja níveis alarmantes.

Ver desaparecidos mais de 10

CARLOS Matingana, de 55 anos, é régulo no povoado de Nhonquene e criador de gado. Contou ao “Notícias” que perdeu no ano em curso mais de 10 cabritos e que nos povoados vizinhos, como Muchia, Luziveve, Mulambo, Goane, entre outros, relata-se, com frequência, casos de morte de gado por ataque das hienas.

“Recentemente os animais selvagens atacaram a manada do meu vizinho. Felizmente, foi possível afugentá-los antes de alcançar as presas”, disse. 

Segundo Matingana, as hienas não são o único problema dos criadores, uma vez que  crocodilos, águias e cobras têm concorrido para a redução dos efectivos.   

O régulo disse que os crocodilos podem atacar em média sete cabeças de gado diariamente no rio Incomáti, sobretudo na época chuvosa, período em que o caudal aumenta.  

Assucena Nguila, directora do Serviço Distrital das Actividades Económicas (SDAE – Moamba), disse que os criadores de gado não comunicam à entidade a ocorrência dos ataques das hienas nos povoados.

Prometeu providências para a criação de mecanismos de controlo do conflito que se enraizou nas comunidades da Moamba, lamentando o facto de as vítimas terem gerido o problema sem procurar apoio em outras estâncias.

“Não tínhamos conhecimento do problema. Vamos contactar os criadores com vista a nos internamos do assunto e seguir os passos subsequentes”, afirmou.

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