Investigação científica deve ajudar na formulação de políticas públicas

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O MINISTRO da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Daniel Nivagara, desafiou a comunidade académica a produzir soluções científicas para a administração pública, sector produtivo, comunidades e para a sociedade, de modo a tornarem-se cada vez mais sustentáveis e competitivos.

Nivagara falava quinta-feira em Chidenguele, província de Gaza, na abertura do III seminário internacional de investigação científica e do XI de divulgação de trabalhos científicos financiados pelo Fundo Nacional de Investigação (FNI).

No evento, que decorre sob o lema “Conhecimento Científico e Inovação na Era Digital, Impulsionando o Desenvolvimento”, o governante disse serem desafios para o domínios da ciência e inovação, a dinamização, investigação, desenvolvimento tecnológico, promoção da participação da mulher na pesquisa e nas áreas de ciências exactas, para além do apetrechamento das instituições de investigação científica e tecnológica e ainda a recolha e sistematização de dados.

Destacou a investigação científica como primeiro sector de intervenção a ser tomado em conta, para alavancar a agricultura, por permitir melhorar as técnicas de produção.  Nivagara sublinhou igualmente a necessidade de maior publicação de obras científicas de autores nacionais, por forma a ajudar também a dinamização do sector da investigação científica no país.

Para o efeito, apontou a necessidade de os conteúdos científicos produzidos pelas diferentes universidades serem de maior impacto na sociedade e ajudarem as comunidades e instituições na busca de soluções para os fenómenos sociais e económicos.

“Se quisermos ter resultado em termos de investigação científica, devemos dar atenção especial à publicação dos trabalhos científicos, resultante das investigações feitas pelos nossos pesquisadores e inovadores. O nosso desafio é trazer resultados, disseminar e elaborar políticas sectoriais, sobretudo neste período da pandemia da Covid-19, termos uma produção científica adequada às políticas de desenvolvimento, integração da mulher e de jovens no desenvolvimento da ciência e inovação”, frisou.

No evento de Chidenguele foram apresentados 518 trabalhos científico dos campos da inovação e investigação, dos quais 70% são nacionais, facto que para Daniel Nivagara constitui um ganho para o país.

Referiu que a aposta na ciência em Moçambique pode se afirmar na concretização do plano da industrialização da região austral de África e no cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável 2020/30.

Não devemos formar “cientistas de gaveta”

A vice-presidente da Comissão Científica do evento, Ana Piedade Monteiro, afirmou que Moçambique não está a fazer o devido aproveitamento dos trabalhos desenvolvidos por pesquisadores nacionais, e admite haver falta de “acções concretas” para a dinamização de diferentes sectores e satisfação das necessidades internas, afirmando que não se pode fazer um trabalho de pesquisa para guardar na gaveta.

Ana Piedade Monteiro explicou que todo o trabalho de investigação tem como finalidade a aplicação para o bem da sociedade. 

A pesquisadora fez menção do problema da falta de meios materiais e financeiros o que condiciona a formação completa de pesquisadores. Este facto coloca o país numa situação de atraso, em relação aos outros da região.

Este constrangimento, segundo Ana Piedade Monteiro, tem condicionado a qualidade dos cientistas formados, o que leva muitos estudantes a optar por academias estrangeiras para se potencializarem.

“A investigação é onerosa, em particular aquela que é feita em laboratório. É preciso um investimento sério. Tornar a pesquisa auto sustentável passa pela sua transformação em um plano de desenvolvimento que beneficia as comunidades”, referiu.

Sobre o estágio da formação dos pesquisadores, disse que Moçambique possui muitos recursos humanos, investigadores, mas ainda falta a comunicação, para que os seus trabalhos sejam recebidos e assumidos pelas comunidades.

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Pesquisadores podem explicar

fenómeno de suicídios

O Secretário do Estado em Gaza, Amosse Macamo, e a governadora da província de Gaza, Margarida Mapandzene Chongo, pedem a intervenção da comunidade académica para o aumento da produção e produtividade, assim como a busca de soluções conducentes à redução de casos de suicídios.

Amosse Macamo entende que a pesquisa científica deve ajudar igualmente na resposta à questões das mudanças climáticas, pandemias,  entre outros problemas sócio-económicos.

Fez saber que a província tem projectos ambiciosos de intensificação dos níveis de produção e produtividade em áreas de agro-pecuária, turismo e de combate à erosão, que dependem do conhecimento científico para a sua resolução.

Margarida Mapandzene Chongo disse esperar do fórum de cientistas soluções que venham responder à insegurança alimentar, doenças endémicas, desigualdades de género que se manifestam nas diferentes esferas de acesso ao conhecimento, geradas a nível nacional e global. Outra preocupação do executivo de Gaza, prende-se com a ocorrência, cíclica de cheias e seca.

“Gaza quer saber de vós cientistas, como pode incrementar a produção de cereais como arroz por hectare e como usar as novas técnicas agrícolas que possibilitem produzir hortícolas por todo ano, como já acontece nos países vizinhos. A melhoria do gado por meios de inseminação artificial é também outra aposta que pode vir da ciência. Na esfera social, a província quer compreender as razões do crescente número de suicídios na província ”, apelou a governadora.

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