CERCA de 180 toneladas de resíduos marinhos foram removidos ano passado, em vários pontos do país, pela Associação Moçambicana de Reciclagem (AMOR), com vista a conservação dos ecossistemas.
As jornadas de limpeza contaram com a participação das comunidades costeiras que recolheram, na sua maioria, redes de pesca, calçados, roupas, plásticos, metais e vidro.
Segundo Deonísio Ussaca, gestor da AMOR na província de Maputo, o lixo removido pelas comunidades foi comprado pela sua organização através do aplicativo Kolekt, uma plataforma digital desenvolvida para monitorizar o fluxo de resíduos, facilitando a sua gestão e reciclagem.
Estas actividades enquadram-se na iniciativa Resiliência aos Resíduos Costeiros em Moçambique (RRCM), que conta com o apoio financeiro do Governo do Reino Unido e a colaboração da Ocean Risk and Resilience Action Alliance (ORRAA).
Ussaca avançou que, para além da despoluição da zona costeira, o projecto visa aumentar a renda das famílias envolvidas e a conservação da biodiversidade marinha, por isso as jornadas de limpeza são sempre antecedidas por campanhas de sensibilização ambiental.
Ainda este ano, a AMOR capacitou diversas Organizações da Sociedade Civil (OSC) em utilização do aplicativo Kolekt, com vista a fornecer ferramentas necessárias para o registo e gestão de resíduos, promovendo uma colaboração eficiente na identificação e classificação dos materiais recicláveis.
A plataforma permite, aos utilizadores, registar a quantidade de resíduos recolhidos em diferentes zonas, classificá-los por tipo e acompanhar todo o processo, desde a recolha até ao destino final.
Paralelamente, a organização promoveu também treinamento de OSC em advocacia ambiental, gestão organizacional e de projectos ambientais, género, governança, entre outros.
Deonísio Ussaca disse que estes projectos implementados em 2024 serão continuados este ano, contudo com o reforço das acções de modo a envolver mais comunidades na preservação do meio ambiente. “A expectativa é continuarmos com projectos de combate à poluição marinha, aumento da renda das comunidades, criação de mais postos de trabalho e que possamos lutar contra pobreza no país, através da promoção da economia circular”, sublinhou.


