Sábado, 4 Abril, 2026
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Constructos de comunicação em Daniel Chapo

RAIMUNDO J. MAPANZENE

Por Juma Capela
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NO seu discurso proferido domingo último, na cidade da Beira, durante a reunião regional centro de preparação da Conferência de Quadros, a ter lugar na cidade de Chimoio, o presidente da Frelimo, Daniel Chapo, disse que este não é um partido de manipulação, mas sim uma organização séria, estruturada da base até ao topo para construir o país.

Por isso, conforme disse, as mensagens nas redes sociais devem ser educativas, positivas e patrióticas e não de desinformação e manipulação como os outros fazem. Disse ainda que a Frelimo não pode perder esta batalha de comunicação de massas, pois é o partido no poder e que lidera a população.

Constructos são conceitos teóricos, modelos mentais ou abstracções criadas para explicar fenómenos não observáveis directamente, muito usados em psicologia e pesquisa científica; sintetizam ideias complexas baseadas em indicadores observáveis (ex: inteligência, personalidade, amor, satisfação no trabalho); uma construção teórica que não pode ser medida directamente, mas inferida através de manifestações (indicadores).

George Kelly sugere que pessoas entendem o mundo através de sistemas de constructos pessoais, que são características ou esquemas mentais usadas para interpretar eventos. Tais permitem organizar observações e explicar fenómenos complexos. Elenco neste texto a i. comunicação progressista, ii. comunicação assertiva, iii. desinformação e manipulação, iv. comunicação de massas como constructos do vasto conceito de comunicação.

Nestes termos, a comunicação progressista na Frelimo remonta da luta anti-colonial, com o objectivo de disputar narrativas hegemónicas do colonizador e seus aliados. O contexto indicava a pertinência da promoção de uma comunicação focada na transformação social, igualdade e direitos humanos através de mediatização de factos de impacto estratégico para o grande objectivo contextual: a independência nacional.

Elementos como justiça social, diversidade e sustentabilidade, buscando o engajamento popular e contrapontos a narrativas reaccionárias, muitas vezes utilizando movimentos sociais e veículos independentes, afiguram-se relevantes.

A comunicação progressista valoriza assim veículos próprios e alternativos à grande mídia para garantir diversidade de opiniões e pluralidade em narrativas baseadas em valores como dignidade, justiça, responsabilidade e motivações políticas claras, para além de conteúdos engajadores, éticos e emancipatórios.

Ora, perante os actuais desafios no panorama das redes sociais, a comunicação progressista deve melhorar eficácia na transmissão de mensagens para a população, no geral, enfrentando lógicas de discursos polarizados que acomodem apenas a conversão de opiniões contra a ordem do dia, estabelecer a conexão popular com ética, pois que não se trata apenas de uma comunicação fluida, justa ou boa mas, acima de tudo, de um processo de convicções igualitárias e de inclusão transversal.

Uma segunda dimensão que diagnostico nos constructos de Chapo sobre comunicação reside na assertividade desta. Com efeito, ao evocar o carácter educativo, patriótico e construtivo da comunicação, Daniel Chapo aclama a capacidade de expressar ideias, sentimentos e necessidades de forma directa, honesta e respeitosa, equilibrando a defesa dos próprios direitos sem agredir ou ferir os outros.

Estamos aqui perante a noção de comunicação social assertiva enquanto factor crucial para a melhoria de relacionamentos, elevação de níveis de auto-confiança e redução de  conflitos. Clareza e objectividade, escuta activa, linguagem coerente e limitação de conteúdos caracterizam a concepção da assertividade comunicacional, cujas vantagens vão para além da esfera política, mas também da vida social e laboral, considerando o potencial para o aumento da produtividade, melhoria do relacionamento interpessoal e redução de conflitos.

Já as questões relativas à manipulação caracterizam, efectivamente, os dias que correm. Na verdade, conteúdos impostores ou falsos baseados em fontes forjadas, notícias inventadas ou montagens abundam, sobretudo as redes sociais. Descontextualizam-se factos, recorre-se a imagens ou declarações verdadeiras fora de contexto para criar uma falsa narrativa; debulha-se a áurea emocional a partir de conteúdos dissimulados para gerar revolta e horror, estimulando sua partilhada veloz.

Esta é a desinformação na sua plenitude: criação e disseminação intencional de informações falsas ou enganosas para manipular opiniões, comportamentos ou atingir objectivos políticos, económicos inconfessos. Distorce-se o debate público, polariza-se a sociedade e se corrói a confiança nas instituições.

É desses constructos que Chapo se distancia no seio do partido que dirige e do Estado que chefia. Notícias falsas (fake news), conteúdos descontextualizados, uso negativo de Inteligência Artificial, de “deep fakes” e imagens editadas, conduzem a uma negação de factos científicos ou históricos comprovados na sociedade e que podem desaguar em ameaças à democracia, no aumento da divisão social e em dificuldade de diálogo, bem como em decisões prejudiciais e comportamentos erróneos.

Especialistas de diferentes areópagos sobre a matéria, recomendam que utentes de diferente informação de massa confiram sempre as suas fontes, a leitura para além de títulos e intróitos, a verificação de datas das mesmas e o cruzamento com outras fontes. No entanto, o desenvolvimento de um pensamento crítico em torno de comunicação de massas é pertinente na era contemporânea, sobretudo num contexto em que Moçambique mergulha e intensifica processos de transformação digital.

Agências acometidas a este fim, poderão pois socializar procedimentos e massificar conhecimentos para uma Internet Segura, em que o uso de plataformas “on-line” desempenhe um papel crucial para o próprio reforço na moderação de conteúdos, detecção e combate à propagação de desinformação.

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