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Sexta-feira, 20 - Maio, 2022

DÍVIDAS NÃO DECLARADAS: Tribunal ausculta declarantes com ligações à ré Ângela Leão

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Hélio Filimone

DEZ declarantes, com ligações ou relações comerciais com a ré Ângela Leão, esposa do co-réu Gregório Leão, antigo director geral dos Serviços de Informação e Segurança do Estado (SISE), no “caso dívidas não declaradas”, são ouvidos, a partir de hoje, pelo tribunal, no prosseguimento do julgamento atinente a este processo. 

As audições destes foram suspensas no princípio de Dezembro passado, devido a problemas de saúde da ré Ângela Leão. Nessa altura, o tribunal ouvia a declarante Italma Pereira que, aliás, volta hoje para uma nova audição, juntamente com o declarante Fernando Pereira.

Até ao final do presente mês, o tribunal vai ouvir outros declarantes cujas empresas ou individualmente fizeram negócios com a ré Ângela Leão. São eles Miguel Alberty, Márcio Ferreira, João Ferreira, Glória Simione, Alexandre Ferreira, Elcy Venichand e Leopoldo Dinis Buque, por sinal irmão da ré. Constam ainda os declarantes Caice Salé, Eugénia Mapanzene, Carlos Malate, Eduardo Magaia e Naldo Manjate.

Refira-se que todos estes declarantes vêm responder sobre a aplicação dos nove milhões de dólares que a família Leão, através da empresa  M.Moçambique Construções, do réu Fabião Mabunda, recebeu do Grupo Privinvest. 

Entretanto, o declarante Nordin Aboobacar confirmou ontem em sede do tribunal ter intermediado a compra de duas casas a favor do réu António Carlos do Rosário.

Trigésimo sétimo declarante ouvido neste processo, Nordin Aboobacar, amigo do réu, disse ter estado no negócio de aquisição de uma casa na cidade de Maputo com os sócios Zulficar Ahmed e Osman Mahomed, assim como noutra residência na cidade de Quelimane, província da Zambézia. Nos autos, o Ministério Público faz constar que o declarante recebeu de comissões pouco mais de um milhão de meticais pela intermediação da casa de Maputo e 12 mil dólares na residência de Quelimane.

Questionado pelo tribunal sobre as razões que o levaram a mentir no depoimento prestado durante a instrução do processo na Procuradoria Geral da República, o declarante disse que fazia parte de uma estratégia de defesa.

“A estratégia de mentir à PGR foi desenhada pelo réu Zulficar Ahmed, na altura meu sócio na empresa que detínhamos. Estávamos no mesmo pacote de mentir e estava ciente disso” – disse Nordin Aboobacar.

Por sua vez, o declarante Taiob Cadangue disse ser amigo do réu António Carlos do Rosário e, por essa via, chegou a ser indicado por ele para exercer o cargo de administrador não executivo da Txopela Investimentos. Contudo, não se recorda se ainda o é e que, em termos práticos, não tinha nenhuma actividade útil.

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