A semana prestes a terminar foi marcada, certamente, pela ascensão, no domingo, do Parque Nacional de Maputo à categoria de património mundial, num reconhecimento da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
Se, por um lado, esta inscrição reconhece o papel desta área de conservação na preservação de espécies e habitats ameaçados; por outro, premeia o trabalho diplomático das autoridades moçambicanas nos últimos anos.
Este feito é, sem dúvida, motivo de orgulho para o país, a medir pelas vantagens que se espera tirar sob ponto de vista de geração de receitas, através da atracção de investimentos para o eco-turismo e manutenção da rica biodiversidade que caracteriza este parque, com 1040 quilómetros quadrados.
O parque foi criado, oficialmente, em Dezembro de 2021 em resultado da fusão da Reserva Especial de Maputo e da Reserva Marinha Parcial da Ponta do Ouro.
Acreditamos que, estando nos holofotes do mundo, o país poderá atrair não somente pessoas apaixonadas pelo eco-turismo, como também investidores que virão a Moçambique como parceiros na exploração da biodiversidade.
O interesse a ser despertado não é para menos. É que este parque tem no seu ecossistema florestas, pântanos, dunas e praias, e diversidade de fauna onde se destacam elefantes, girafas, hipopótamos, crocodilos e diversas espécies de aves.
Se por um lado se esperam ganhos; por outro, está o desafio da manutenção do lugar conquistado na UNESCO, facto que impõe ao país e, sobretudo, aos profissionais de conservação da natureza, esforço redobrado para manter os ecossistemas saudáveis, sem os quais não se pode falar de atracção de turistas.
A necessidade de redobrar esforços em prol da conservação tem também a ver com o facto de o país estar a viver, em quase todas as áreas destinadas à preservação da biodiversidade, o conflito Homem-fauna bravia, motivado pelo crescimento de assentamentos humanos, o que, naturalmente, provoca disputa dos recursos de sobrevivência entre pessoas e animais.
O crescimento que poderá ser galvanizado pela ascensão deve ter repercussão não somente sob ponto de vista macro, como também micro, concretamente na assistência às comunidades que vivem na zona-tampão ou nas imediações, em situação de extrema pobreza e penúria caracterizada por falta de serviços básicos como saúde, educação, água e saneamento do meio.
Neste contexto, os dividendos que se espera colher do crescimento que se almeja com a ascensão devem contribuir para a melhoria das condições de vida da população, de modo a sentir que valeu a pena o princípio da convivência pacífica que certos destinos turísticos similares já conquistaram.
Acreditamos que desta forma se estaria igualmente a fazer jus à declaração do Presidente da República, ao classificar a ascensão do parque a património mundial como vitória colectiva.
Assim, para além de ser motivo de orgulho para os moçambicanos, a ascensão do Parque de Maputo à categoria de património mundial representa um acréscimo de responsabilidade, porque o mundo inteiro está atento à forma como, doravante, lidaremos com as espécies desta área de conservação, e com as comunidades circunvizinhas.


