Sábado, 29 Novembro, 2025
Início » EDITORIAL

EDITORIAL

Por Jornal Notícias
938 Visualizações

AS últimas duas semanas estão a ser marcadas desportivamente pela paralisação da disputa do “Moçambola”-2025, que é o principal campeonato de futebol nacional, cuja retoma deverá acontecer já amanhã, 15 dias depois da sua interrupção por razões logísticas ligadas ao transporte aéreo das equipas.

Esta retoma  é, acima de tudo, um alívio não só para a Liga Moçambicana de Futebol (LMF) como para os clubes, que estavam numa situação de “standby”, sem saber o que fazer, ao mesmo tempo que iam acumulando prejuízos desportivos e financeiros de uma prova que começou atrasada.

O ”Moçambola” está a viver a sua maior crise de sempre, que na verdade vinha dando sinais há anos, mas foram ignorados por quem devia agir antes que fosse tarde.

O transbordo da crise acabou acontecendo: jogos adiados por falta de fundos para o transporte dos intervenientes. Um campeonato previamente calendarizado parou, não por compromissos da Selecção Nacional ou outra situação ponderável, mas porque os clubes não tinham como se deslocar.

Era a exposição da fragilidade de um modelo de competição que já havia dado sinais de ter deixado de ser sustentável, porque esta competição não tem retorno financeiro e os clubes teimam em continuar sob gestão amadora, o que os torna financeiramente deficientes.

Os sinais da crise deste modelo clássico (“todos contra todos” em duas voltas) foram dados há anos, quando a LMF deixou de assegurar a totalidade da logística dos clubes. O alerta era claro, mas ninguém pensou na mudança, mesmo sabendo que a prova era insustentável porque não gera receitas tanto para os clubes, associações e a própria LMF.

As empresas públicas, que sempre foram o alicerce do financiamento deste modelo, já não têm a mesma capacidade financeira e as que ainda têm apostam em outras prioridades. 

O sector privado tem demonstrado pouco interesse pelo desporto, sendo prova disso o facto de apenas duas empresas sem participação estatal estarem entre as patrocinadoras dos clubes.

Assim, a retoma  do “Moçambola” só é possível devido à intervenção do Governo, como tem sido desde a criação (1999) deste modelo. Entendemos, por isso, ser hora para uma reflexão profunda sobre o rumo a seguir.

Há que se pensar num modelo competitivo adaptado à realidade económica do país, sua extensão e, sobretudo, na profissionalização da gestão da LMF, como, aliás, já foi recomendado pela FIFA e outras instituições independentes.

O “Moçambola”, tal como está, não é viável e continuar-se a fingir que tudo vai melhorar por si só pode ser um erro estratégico que vai sair caro.

No meio disso tudo está em jogo mais do que um calendário desportivo: hipoteca-se a credibilidade do futebol para angariar parceiros, o prestígio da competição e o despontar de talentos para os “Mambas”.

Quanto antes, há que repensar-se e adoptar-se um formato mais modesto e  viável.

Os clubes devem se tornar auto-sustentáveis, pois não há empresas que injectam eternamente dinheiro onde não existe retorno. Aliás, o principal objectivo de uma empresa que se preze é gerar lucros.

Leia mais…

Artigos que também podes gostar