A CAPITAL do país, Maputo, foi palco, esta semana, da Assembleia-Geral do Africa50, uma instituição pan-africana de investimento em infra-estruturas criada para acelerar o desenvolvimento de projectos estratégicos no continente.
Tratou-se de um evento que coloca Moçambique no epicentro de uma agenda continental ambiciosa focada na aceleração da industrialização, competitividade e na inclusão sócio-económica através de parcerias estratégicas.
Na verdade, o Governo de Moçambique identificou, com lucidez, que a presença do Africa50 e de instituições financeiras de peso, como o Grupo Banco de Comércio e Desenvolvimento (TDB) e Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), abre janelas concretas para materializar projectos estruturantes.
O anúncio de que a TDB e Africa50 estão dispostos a financiar a Central Eléctrica de Mphanda Nkuwa até 2,5 mil milhões de dólares — metade do valor necessário para viabilizar este empreendimento crucial para a segurança energética, industrialização e redução de custos de produção — representa um avanço tangível na transformação dessa visão em realidade. É que sem o fornecimento de energia estável e competitiva nenhum país sustenta um crescimento robusto ou atrai investimento privado de longo prazo.
Outrossim, durante a Assembleia a Africa50 e a empresa pública Electricidade de Moçambique assinaram um acordo de financiamento para apoiar a construção de três linhas de transporte de energia eléctrica com mais de 800 kilowatts (kW). Pela escala e impacto esperado, estes projectos, conjugados com Mphanda Nkuwa e outros implementados ou ainda em carteira, abre-se a possibilidade de o país criar ligações que se conectem com diferentes países do ‘hinterland’, estabelecendo, com isso, um sistema eléctrico mais resiliente, com potencial de exportação de energia limpa, reforçando-se também, deste modo, a integração regional na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Ressalva-se ainda que a relevância desta magna reunião do Africa50 não se esgota no sector energético. De facto, a decisão anunciada no evento pelo Chefe do Estado, Daniel Chapo, de realizar, brevemente, em solo moçambicano o Fórum Presidencial de Investimento, abre caminho para um debate de alto nível sobre infra-estruturas, corredores económicos, logística, digitalização e conectividade continental. Estes eixos são indissociáveis: corredores e portos eficientes reduzem custos e aumentam a competitividade; a digitalização amplia mercados e cria novas cadeias de valor; e a conectividade continental fortalece a integração económica e política de África.
Não temos dúvidas que o país enviou, com esta assembleia, uma mensagem de confiança e ambição: Moçambique está aberto ao investimento, disposto a integrar-se plenamente nas cadeias de valor regionais e globais e preparado para fazer das suas vantagens geográficas, recursos naturais e capital humano uma alavanca de desenvolvimento sustentável.
O desafio agora é transformar compromissos em obras e as promessas em resultados. Para tal o Estado deve assumir-se como facilitador e regulador eficiente, reduzindo os entraves ao bom ambiente de negócios. O sector privado, por sua vez, precisa de assumir um papel central na geração de riqueza, emprego e inovação, estabelecendo parcerias que tragam não apenas capital mas também tecnologia e know-how. O sinal está dado.



