Sábado, 29 Novembro, 2025
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EDITORIAL

Por Jornal Notícias
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A PARTICIPAÇÃO de Moçambique, esta semana, na 80.ª Sessão da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, Estados Unidos da América, marcou, sem dúvida, um momento significativo na diplomacia do país. O Presidente Daniel Francisco Chapo tomar parte pela primeira vez no evento como Chefe do Estado.

Tratou-se, na verdade, de uma presença que resultou em ganhos práticos e estratégicos que reforçam o país, tanto no plano interno como no internacional. A título de exemplo, no seu discurso, Chapo defendeu claramente a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da ONU, pedindo maior representatividade, transparência e equilíbrio de poderes. Também enfatizou a urgência da justiça climática — colocando Moçambique entre os países que mais sofrem com os impactos das alterações climáticas — e a cooperação internacional como condição para enfrentar os desafios globais.  Outrossim, a agenda de Daniel Chapo em Nova Iorque foi intensa, pois, durante a Semana de Alto Nível da Assembleia-Geral,  manteve encontros bilaterais de alto nível, entre eles com o secretário-geral da ONU, António Guterres, bem como com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Nessas reuniões, foram discutidos aspectos importantes, como a situação humanitária e de segurança em Cabo Delgado e garantias de apoio internacional em projectos de desenvolvimento e paz. Outro ganho relevante tem a ver com investimento e visibilidade económica: o Presidente da República participou em fóruns como o  de Energia em África (Atlantic Council) e na Columbia Africa Conference, possibilitando, com isso, que o país exponha, nesses espaços, as oportunidades de investimento, particularmente no sector energético, área  vital para o seu desenvolvimento económico.

Este evento multilateral teve uma outra peculiaridade: realizou-se num momento em que o país comemora 50 anos de independência e também 50 anos de membro pleno da ONU. Esse duplo jubileu torna a voz de Moçambique oportuna, visto que lhe confere legitimidade acrescida para apelar a reformas no sistema multilateral e a maior justiça global. 

A nível interno, os ganhos desta participação são também notáveis: é que ao envolver o país num debate global, o Governo torna público que a sua agenda de governação (como o Diálogo Nacional Inclusivo, por exemplo) está alinhada com compromissos assumidos por ele além-fronteiras, o que demonstra uma coerência na sua actuação. 

Em suma, tratou-se de uma participação com ganhos múltiplos e que incluem o reforço da visibilidade internacional do país; afirmação de posições estratégicas em matéria de reforma global e justiça climática; bem como a abertura de oportunidades concretas de cooperação e investimento.

O país reforçou, igualmente, a sua imagem como actor internacional empenhado, coerente nas suas posições, especialmente nos domínios da paz e segurança. Assim, não há dúvidas de que isso fortalece o seu posicionamento junto de parceiros tradicionais e potenciais, promovendo uma diplomacia de respeito mútuo e de reciprocidade. O desafio agora é garantir que o eco de Nova Iorque se traduza em progresso visível e duradouro no quotidiano de todos os moçambicanos.

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