Quinta-feira, 22 Janeiro, 2026
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Editorial

Por Jornal Notícias
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A atribuição, a Moçambique, segunda-feira, do certificado “Eminent Advocate For Multi-Hazard Early Warning” (Defensor Eminente dos Sistemas de Alerta Multiriscos) pela Organização Mundial da Meteorologia é um dos assuntos que marca a semana prestes a findar.

Na verdade, mais do que reconhecer a “liderança exemplar de Moçambique e seu empenho na redução do risco de desastres e promoção de resiliência climática, o prémio reforça a confiança dos moçambicanos na qualidade e credibilidade das actividades que vem desenvolvendo no âmbito da implementação dos sistemas de aviso prévio.

A distinção, entregue ao Presidente da República, Daniel Chapo, representa, acima de tudo, uma grande responsabilidade no sentido de Moçambique continuar a apostar no sistema de aviso prévio e, quiçá, manter-se como exemplo a ser seguido por outros países, sobretudo aqueles que, como nós, estão na lista dos mais afectados pelos impactos negativos das mudanças climáticas devido à sua localização geográfica.

A prova inequívoca de que Moçambique é dos mais vulnerável no mundo está no aumento da frequência da ocorrência de fenómenos climáticos extremos – secas prolongadas, cheias e ciclones – cujas consequências são devastadoras, particularmente para um país cuja economia é muito dependente da agricultura.

Aliás, só nos últimos anos o país enfrentou ciclones devastadores, como Idai, Kenneth, Gombe, Freddy, Dikeledi, Chido, fenómenos que para além de matar pessoas também destruíram infra-estruturas e deslocaram comunidades inteiras.

Assim, reconhecendo a sua condição de vulnerável, o país tem vindo a investir cada vez mais no aperfeiçoamento dos sistemas de aviso prévio, mantendo a população informada com antecedência razoável, particularmente aquela que vive em zonas de risco.

Este investimento está a resultar, entre outros aspectos, na redução do número de vítimas mortais, na quantidade de bens arrastados ou destruídos como resultado dos eventos climáticos extremos.

Para além disso, permite que as autoridades posicionem, tempestivamente, meios de busca e salvamento no caso de ocorrência de cheias ou ciclones, ou mobilize “kits” de saúde e de alimentos para atender aos afectados pelas calamidades.

É neste contexto que, modéstia à parte, o reconhecimento anunciado esta semana em Genebra a Moçambique não é de todo surpreendente, porquanto honra, digamos, todo o trabalho do Estado e dos moçambicanos com vista à mitigação dos impactos negativos das intempéries. Esta é, aliás, a razão que terá levado o Presidente da República a dedicar o prémio ao povo, sobretudo aquele que ciclicamente sofre na pele os efeitos dos desastres naturais.

Nosso apelo é de que a distinção deve estimular o reforço do compromisso do país com a melhoria, ainda mais, dos sistemas de aviso prévio para a mitigação do risco.

Significa que o diploma que nos fez exultar de alegria em Genebra, perante representantes dos 193 países-membros da ONU, não nos deve conduzir ao relaxamento; antes pelo contrário, tem de levar a arregaçar as mangas e continuarmos a trabalhar para que cada vez menos pessoas não morram vítimas das calamidades, tal como aconteceu, infelizmente, no ano 2000, aquando das cheias que ceifaram a vida a mais de 700 pessoas.

Orgulhemo-nos, mas sem relaxar.

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