DEPOIS da avaliação dos danos causados pelas cheias e inundações que afectam, sobretudo, o Sul do país, o Conselho de Ministros decidiu, semana passada, adiar o arranque do ano lectivo escolar de 2026 para 27 de Fevereiro.
Embora a medida possa ter colhido algumas pessoas de surpresa, para outras era previsível atendendo à dimensão dos estragos causados pelas intempéries em vários pontos do país com particular destaque para as províncias de Maputo e Gaza.
Aliás, as estatísticas apontam que ao nível nacional, 431 escolas foram afectadas, destas, 281 salas de aula estão totalmente destruídas e 80 instituições de ensino acolhem as vítimas deste desastre. Além disso, 218 estabelecimentos estão sitiados, afectando 427.289 alunos e 9204 professores.
A última vez que tivemos estragos desta magnitude foi aquando da passagem do ciclone Idai, pelo que qualquer intervenção precisa de acautelar todas as componentes para uma educação inclusiva e segura para docentes e discentes.
É que além dos livros escolares destruídos, as cheias provocaram a deslocação de famílias inteiras, cujos educandos precisam de ser reassentados em outros pontos a partir de onde também se deverão matricular novamente.
Ademais, estas cheias ocorreram numa altura em que muitos pais e encarregados de educação ainda não haviam matriculado os filhos até sexta-feira da semana passada, último dia definido para a inscrição dos novos ingressos da 7.ª, 10.ª e 11.ª classes. Neste contexto, o adiamento constitui, igualmente, uma oportunidade para aqueles que não puderam inscrever os seus dependentes fazê-lo.
Não há dúvidas que estamos diante de um cenário em que os professores terão de reestruturar os planos de ensino para garantir que as crianças adquiram as competências necessárias para cada classe.
Mesmo nos casos em que as crianças não foram afectadas, este adiamento força aos pais a encontrar programas ocupacionais para os petizes, até porque estas estavam mentalmente preparadas para o regresso às aulas.
Portanto, mais do que reprogramar o ano lectivo, este adiamento também nos obriga a reflectir sobre o impacto que esta medida poderá ter na vida dos alunos, muitos dos quais podem acabar por progredir para os níveis seguintes sem os requisitos necessários.
Nesta perspectiva, entendemos que é preciso compreender que este adiamento poderá encurtar a carga horária dos alunos nas classes abrangidas, sobretudo no primeiro semestre, e com possíveis repercussões nas avaliações anuais. Caso contrário, será necessário prolongar-se as actividades lectivas por pelo menos três a quatro semanas ou então reavaliar as interrupções trimestrais. Aliás, é o que sugere o calendário aprovado, a 30 de Janeiro de 2026 pela ministra da Educação e Cultura.
Em suma, o adiamento do arranque do ano lectivo tem o seu mérito, contudo, a reorganização do calendário escolar desafia todos os actores – professores e encarregados de educação – a encontrar antídotos para minimizar os seus impactos negativos no processo de ensino e aprendizagem.
Se calhar seja tempo de repensarmos no calendário escolar, porque o seu início coincide sempre com a época chuvosa ou teremos de revisitar as nossas infra-estruturas, incluindo a localização das escolas.


