Terça-feira, 10 Março, 2026
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EVARISTO ABREU (1966-2025): O adeus a um “Homem do Teatro”

Por Jornal Notícias
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Artistas despediram-se hoje, no Teatro Avenida, do artista e académico Evaristo Abreu, falecido terça-feira, na sua residência, na Matola, vítima de doença.

Manuela Soeiro, considerada “Mãe do Teatro Moçambicano”, considera que “se por um lado nós perdemos a pessoa física, por outro lado ganhamos o legado, que é muito importante. E esta manifestação hoje mostrou, de facto, que Evaristo deixou um legado no teatro moçambicano. Isso é muito importante. Não devemos considerar a morte como um final. É físico, mas o legado é eterno”.

A actriz Lucrécia Paco, fala de uma grande perda para as artes moçambicanas. “Era um homem inspirador naquilo que diz respeito às artes e não só, mas também um homem de família, um grande companheiro, colega, que sempre soube, no momento certo, dizer o texto certo, o poema certo. Uns têm a Bíblia, a nossa Bíblia é esta!”, rematou.

Já a curadora Maria Elisa, uma figura incontornável nas artes, trabalhou durante muitos anos no Centro Cultural Franco-Moçambicano como gestora cultural e hoje reformada, mas sempre activa na cena cultural, fala de uma perda irreparável.
“Evaristo foi uma pessoa que sempre esteve empolgada em tudo e espero que continuemos com esta empolgação e levemos avante os projectos que ele tinha, os seus sonhos”.

Por sua vez, o actor do Mutumbela Gogo, Jorge Vaz, enalteceu a dimensão que o Evaristo teve na sua vida e carreira. “Ele que me recebeu desde a minha entrada no profissionalismo do teatro até os dias de hoje. Eu entrei no profissionalismo por volta dos 19 anos (…) e gora já com 50, imagina”, questionou, recordando Evaristo pela suam humildade, exigência.
“Ele gostava de qualidade em tudo que fazia, tanto na esfera política, social, cultural, ele era exímio no que fazia”.

Por fim, o artista plástico, Gemuce, recordou que a sua amizade com Evaristo remonta aos anos 90. “Tornámo-nos amigos, somos da área. Agora, no Festival de Agosto eu herdei o símbolo que passava de mão em mão, era uma máscara. Esta máscara até hoje está comigo. Estou a pensar agora como devolver esta máscara, porque foi o último testemunho, como se diz. Estou agora a pensar como trazer ao Mutumbela Gogo. Foi o último testemunho do Festival de Agosto”, referiu, destacando o legado do Evaristo na formação académica e os discípulos formados.

©Féling Capela

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