WALTER MBENHANE
ESTIMA-SE que cerca de um milhão de pessoas possa ser afectado pelo ciclone tropical Gazene que se prevê atinja a costa moçambicana, concretamente as províncias de Inhambane, Gaza e Sofala, na sexta-feira e no sábado.
Trata-se de um sistema que vai fustigar Madagáscar hoje como tempestade tropical, onde vai perder energia, mas que ao entrar no Canal de Moçambique poderá evoluir à categoria de ciclone tropical.
Acácio Tembe, do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) disse ontem que “Gezane” poderá fazer a aproximação à costa moçambicana através da província de Inhambane.
Intervindo na IV reunião do Conselho Técnico do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), alargado a outras instituições, Tembe indicou que o sistema será acompanhado por ventos de 120 quilómetros por hora e chuvas intensas.
Precisou que nos próximos 14 dias, as regiões centro e norte do país poderão, igualmente, ser fustigadas pelo mesmo cenário de chuvas intensas, concretamente nas províncias de Zambézia, Niassa, Nampula e Cabo Delgado.
Enquanto isso, Agostinho Vilanculos, do Departamento de Recursos Hídricos, na Direcção Nacional de Recursos Hídricos, afirmou que, actualmente, as bacias hidrográficas de Incomáti, Limpopo, Púnguè e Zambeze continuam em alerta, mas com tendência a baixar, enquanto Megaruma, em Cabo Delgado, está a subir devido às chuvas que continuam a cair no norte.
No geral, os escoamentos nas principais bacias hidrográficas do país tendem a reduzir com o abrandamento das chuvas, tanto no território nacional, como nos países a montante, criando espaço para novos encaixes.
A rede viária poderá ser afectada, apelando-se, por isso, aos automobilistas para reprogramarem as suas viagens, porque algumas estradas serão de circulação condicionada.
Entretanto, Luísa Meque, presidente do INGD, disse que a instituição está preparada para atender às potenciais vítimas do ciclone.
Referiu que para fazer face à época chuvosa e ciclónica 2025-2026, o Governo dispõe de 2.4 mil toneladas de bens alimentares diversos, incluindo cereais, leguminosas, oleaginosa, açúcar e sal, quantidade considerada suficiente para assistir 366 mil pessoas por 15 dias.
Igualmente, pré-posicionou meios de busca e salvamento, com destaque para embarcações a motor, e equipas multissectoriais trabalham para evitar a mortes.
Luísa Meque disse que neste momento o grande desafio é de sensibilização da população para se retirar das zonas de risco.


