Mais de cem funcionários do Conselho Municipal da vila de Mandlakazi, província de Gaza, estão há 4 dias em greve, em protesto contra o atraso salarial de três meses.
Os trabalhadores afirmam que a situação é recorrente, desde 2024, e denunciam ainda alegados problemas de liderança, falta de coordenação e práticas de corrupção no seio da edilidade.
De acordo com os grevistas, o descontentamento não se limita apenas ao incumprimento salarial, estendendo-se àquilo que classificam como arrogância por parte dos dirigentes municipais e à gestão deficiente dos serviços. Os funcionários denunciam igualmente a retirada de quase todos os contabilistas do município, alegadamente por se recusarem a cumprir ordens superiores, o que, segundo dizem, deixou o sector de contabilidade a funcionar sem técnicos qualificados.
“Estamos a reivindicar não só os salários, mas também a forma de ser dos nossos dirigentes. Há arrogância, falta de coordenação e não há consideração pelos trabalhadores. A contabilidade está praticamente paralisada porque os contabilistas foram afastados”, disse um dos funcionários que não quis revelar o nome.
Os funcionários afirmam que, apesar de estarem em greve desde segunda-feira, só nesta quarta-feira é que a liderança municipal se aproximou para dialogar, após aconselhamento de terceiros. Contudo, rejeitaram o apelo da presidente do Conselho Municipal para retomarem o trabalho enquanto se procuram soluções, reiterando que só regressarão às atividades “com o salário no bolso ou creditado nas contas”.
Por sua vez, a presidente do Conselho Municipal de Mandlakazi, Francelina Nhantumbo, confirmou a paralisação total das actividades, incluindo sectores essenciais como fiscalização e salubridade. Nhantumbo justificou o atraso no pagamento dos salários com a fraca capacidade de arrecadação de receitas próprias por parte do município, apesar da sua autonomia financeira, acrescentando que estão a ser reforçados contactos com o Governo central para a mobilização de fundos que permitam liquidar a dívida salarial.
A governadora da província de Gaza, Margarida Mapandzene Chongo, reconheceu que o atraso no pagamento de salários é uma realidade em vários municípios da província. “Não estão a ser pagos dois meses e este é o terceiro que ainda não fechou. Esta situação não acontece apenas em Mandlakazi, mas também em Chibuto, Chókwè, Macia e Bilene. Apenas o município de Xai-Xai conseguiu ultrapassar o problema, recorrendo a outros meios”, explicou a governadora.


