O MALAWI realiza amanhã eleições gerais com 17 candidatos presidenciais, incluindo o actual chefe de Estado, Lazarus Chakwera, e o seu antecessor, Peter Mutharika, num contexto de elevada inflação e o país afectado por fenómenos climáticos extremos.
Cerca de 7,2 milhões de eleitores vão ter um escrutínio presidencial, legislativo e autárquico.
Além do Presidente, entre os 17 candidatos, os malawianos vão também eleger 229 deputados para o Parlamento e, a nível autárquico, 509 vereadores, segundo noticiou a BBC, citada pela Lusa.
A viver num contexto de inflação de 30 por cento e fenómenos climáticos extremos, como a seca e ciclones, causados pelas alterações climáticas, este país vizinho de Moçambique anseia por dias melhores, que parecem distantes aos seus cidadãos.
Lazarus Chakwera, um pastor evangélico de 70 anos, procura o seu segundo mandato. Chegou ao poder em 2020, depois de, em 2019, ter havido uma anulação dos resultados eleitorais por irregularidades.
Nas eleições de 2020, Chakwera, líder do Partido do Congresso do Malaui (MCP), obteve quase 59 por cento dos votos e privou Peter Mutharika, de 85 anos, do Partido Democrata Progressista – partido mais antigo do país – de um segundo mandato.
O optimismo gerado pela transição obtida há cinco anos há muito que se dissipou devido, principalmente, à inflação galopante e aos escândalos de corrupção que comprometeram figuras do Governo.
Peter Mutharika espera capitalizar o descontentamento para obter uma vitória política, apesar de a estagnação económica, a escassez de bens essenciais e as acusações de nepotismo terem marcado o seu anterior mandato (2014-2020).
Uma sondagem publicada na semana passada dá uma vantagem de dez pontos a Peter Mutharika (41 por cento), antigo professor de direito em Washington, sobre Lazarus Chakwera (31 por cento), licenciado em filosofia e teologia.
Também a ex-Presidente Joyce Banda (2012-2014), o actual vice-presidente, Michael Usi e o antigo governador do banco central Dalitso Kabambe são candidatos presidenciais, mas as suas hipóteses são consideradas reduzidas.
No caso particular de Kabambe, está sob alegações de corrupção e branqueamento de capitais durante o seu mandato à frente do banco central.
O chefe da Missão de Observação Eleitoral da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SEOM), Themba N. Masuku, e a respectiva missão irão divulgar, na quinta-feira, uma declaração preliminar sobre como correu o escrutínio, segundo um comunicado de imprensa da organização.
A 22 de Agosto, a União Europeia (UE) já tinha anunciado, em comunicado, que iria enviar uma missão de observação eleitoral, a convite do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Comissão Eleitoral do Malawi.


