O Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, defendeu, ontem, em Istambul, Turquia, durante o Fórum Zero Waste – Lixo Zero, que a gestão sustentável dos resíduos urbanos deve ser entendida como uma “nova cultura de vida” e não apenas como uma política ambiental.
Na sua intervenção, o gestor municipal destacou o conceito de “Lixo Zero” que implica uma mudança profunda de mentalidades e práticas, convidando as cidades a repensar a forma como produzem, consomem e descartam, com base nos princípios de recusar, reduzir, reutilizar, reciclar e compostar.
Manhique anunciou que Maputo está a viver uma verdadeira transformação estrutural no sistema de gestão de resíduos sólidos urbanos, com a construção do primeiro Aterro Sanitário de grande envergadura do país — um marco histórico que permitirá encerrar definitivamente a antiga lixeira municipal de Hulene.
Segundo o autarca, a cidade já recolhe cerca de 90% dos resíduos produzidos, sendo que 40% são recicláveis. Contudo, apenas o plástico duro é actualmente reciclado em grande escala. “Estamos a trabalhar para expandir a reciclagem de vidro, papel e alumínio, criando emprego e reduzindo a dependência de matérias-primas importadas”, sublinhou.
Manhique destacou ainda o potencial da fracção orgânica dos resíduos, que representa a maior parte do lixo urbano. “A compostagem e a biodigestão podem reduzir custos, prolongar a vida útil do aterro e gerar novos postos de trabalho”, afirmou, acrescentando que a valorização do lixo orgânico está no centro da estratégia de transição ecológica da cidade.
Rasaque Manhique reconheceu, porém, que os principais desafios residem na falta de Infra-estruturas e investimentos para o sector da reciclagem, apelando a parcerias sólidas com o sector privado, com as comunidades e com as cidades irmãs que já trilham o caminho do Lixo Zero, como Istambul.
Concluindo a sua intervenção, o presidente do município de Maputo afirmou que o verdadeiro sentido do movimento “Lixo Zero” é “redefinir o valor das coisas” e educar as novas gerações para serem agentes da mudança.
“Queremos um futuro em que as cidades africanas deixem de ser vistas como consumidoras e passem a ser produtoras de soluções sustentáveis, um futuro onde a economia circular e a dignidade humana caminhem lado a lado”, declarou.


