Neusa Matos diz que foi usada pelo réu Renato Matusse

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HÉLIO FILIMONE 

A DECLARANTE Neusa Matos, antiga conselheira jurídica do Presidente Armando Guebuza, disse ontem, perante o tribunal, ter sido usada pelo réu Renato Matusse, ao facultar os dados das suas contas bancárias para o branqueamento de capitais provenientes do Grupo Privinvest. 

Na sua audição, a declarante explicou que Renato Matusse facultou indevidamente dados das suas contas em Moçambique e em Portugal a Jean Boustani, gestor da Privinvest, para transferir dinheiro a mais a fim de lhe ser entregue parte do mesmo em Maputo, por via de cheque. 

Neusa Matos e Renato Matusse foram colegas na Presidência da República, onde o réu desempenhou funções de conselheiro político por dez anos.

A declarante disse que no lugar de pagar 450 mil dólares pela compra da casa, o réu Matusse ordenou que fossem transferidos 300 mil dólares para a sua conta em Portugal e outros 300 mil dólares em Moçambique. No entanto, sobre os 150 mil dólares a mais, Neusa Matos afirmou que o antigo colega justificou ter havido algum engano e que devia emitir um cheque a seu favor, a título de devolução.

“Houve abuso de confiança. A acção do meu colega foi propositada porque não autorizei que entregasse os dados a Jean Boustani. Não emiti nenhum cheque porque não os tinha para essa conta, mas sim a minha gestora de conta que, por sinal é a mesma dele, efectuou uma transferência bancária para a sua conta em dólares. Renato Matusse reagiu de forma surpresa”, explicou.

Neusa Matos contou também que vendeu a casa ao réu porque este justificou que era para o filho que ia casar quando, na verdade, Renato Matusse pretendia revendê-la a uma terceira pessoa. É aqui onde o Ministério Público aponta, na sua acusação, ter havido lavagem de dinheiro porque o réu amealhou nove milhões de meticais pela sua revenda.

“Vendi a minha casa porque queria uma com mais espaço. Só soube mais tarde que o comprador era o meu colega Renato Matusse, a quem lhe transmiti a necessidade de o valor ser pago em Moçambique porque queria usá-lo aqui. Disse-me que ia receber dinheiro da venda de direitos autorais em Londres, ao que rebati que queria ser paga aqui no país. Nunca tive a mínima noção de que o dinheiro vinha da Privinvest. Em nenhum momento duvidei da proveniência do dinheiro e não tinha como saber. Fiz o negócio de boa-fé”,  referiu.

A declarante, que trabalhou durante 17 anos na Presidência da República, disse também que nunca chegou a perceber como é que ficou de fora do grupo restrito de conselheiros do Presidente Armando Guebuza, onde, a partir de uma certa altura, deixou de receber a agenda diária de trabalho, para além de ser excluída de viagens no segundo mandato, alegadamente por contenção de custos.

Por causa do assunto das dívidas não declaradas, Neusa Matos afirmou que passou à reforma depois de pedir demissão do cargo de directora do Gabinete do Primeiro-ministro por considerar que já não havia condições para continuar nas funções.

Ainda ontem, o tribunal ouviu o declarante Elónio Muiane.

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