Viriato João
Desde tenra idade me foi ensinado que o Homem vive do suor do seu trabalho. Não sabia que esta era uma introdução fundamental para a vida adulta que requer empenho, dedicação, persistência e foco para garantir o mínimo para a sobrevivência. Aliás, hoje percebo que o êxito na escola e outros domínios da vida dependem, sobremaneira, da forma como se encara o que se pretende alcançar. Em suma, tudo na vida requer sacrifício, nada “cai do céu”.
Foi neste espírito que também que me foi aconselhado a não “jogar batota”, os jogos de azar que envolvem valores monetários, sobretudo pela sua tendência de viciar ao ponto de manter o foco somente nesta prática que, na verdade, caracteriza-se por destruir as pessoas e por extensão a família.
Os relatos que nos chegam sobre os jogos da sorte ou azar são preocupantes. Há gente que à revelia dos parceiros desviam a aplicação de dinheiro para ver se o multiplicam nas múltiplas tentativas que as máquinas oferecem. Sendo um vício, não se importam em sacrificar as crianças com o desvio do dinheiro destinado para o rancho, por exemplo.
De acordo com relatos, os primeiros momentos de contacto com os jogos são interessantes por permitirem que o jogador ganhe a partida ou aposta, fazendo um efeito psicológico que oferece segurança e expectativa de que aumentando o valor da aposta as chances de voltar à casa com somas elevadas é maior. Mas, debalde, apenas fica o vício e sempre com a esperança de que no dia seguinte as coisas vão melhor.
Contam-se episódios de famílias que estão na condição de pobreza quando tinham o mínimo para a sobrevivência. Alguns entregaram casas como garantia e, perdendo a aposta nada mais podiam fazer senão honrar com o compromisso, cedendo o bem que levou o seu tempo a obter.

Outros ainda, sacrificam os filhos garantindo somente o mínimo para não ficarem malnutridos, levando boa parte do valor que o parceiro disponibiliza para pagar a aposta. E, porque a tendência de quem perde é tentar a sorte mais do que uma vez, chegam mesmo a entregar a casa à revelia do companheiro.
Há casos de apostadores que hipotecam até a esposa e filhos para poderem continuar a jogar, sempre a contar com a chance de poder vir a ganhar. Ou seja, mesmo depois de se ver encurralado, ao invés de render às evidências, prefere seguir em frente. Até onde chegamos.
Depois de acompanhar estes relatos e as notícias que nos chegam a partir dos órgãos de informação que dão conta de que cidadãos optaram pelo suicídio após perderem apostas que envolvem muito dinheiro, é tempo das autoridades agirem para contrariar esta tendência. Porque, na verdade, trata-se de situações que devem preocupar não somente as famílias como também as autoridades, uma vez que estas instituições ou estabelecimento estão licenciadas para desenvolver este tipo de actividade.
Será que é justo promover jogos de sorte ou azar que se sabe de antemão que viciam e com potencial risco de perder e criar danos psicológicos e sociais ao apostador? É preciso reflectir seriamente nesta situação que coloca os pais em desespero, pelo facto de estarem a ser implementados jogos que aliciam as crianças.

Refiro-me aos famosos xindondes que as autoridades em algum momento fizeram campanhas para banir da circulação, todavia, os mesmos são vistos na via pública, até em locais de destaque, para a infelicidade de muitos.
Neste caso, as crianças desde tenra idade aprendem a lidar com este tipo de jogos que em algum momento retira-lhes a concentração e vontade de prosseguir com os estudos, que constituem a base para o seu futuro.
Por isso, é tempo de agir para contrariar esta tendência.



