SUSTENTABILIDADE: TVM e RM devem adoptar gestão empresarial

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AS principais empresas do sector público de comunicação social, nomeadamente Televisão de Moçambique (TVM) e Rádio Moçambique (RM), devem mudar de paradigma de funcionamento, adoptando uma gestão empresarial, de modo a se tornarem rentáveis e sustentáveis.

Este desafio foi lançado quinta-feira pelo administrador do IGEPE, Raimundo Matule, numa palestra, no quadro do I Conselho Coordenador do Gabinete de Informação (GABINFO), que ontem terminou no posto administrativo da Macaneta, distrito de Marracuene, província de Maputo.

Matule defende ser este o caminho necessário para a sobrevivência de ambas, uma vez que actualmente encontram-se numa situação de falência técnica, ou seja, com capitais próprios negativos, para além de serem dependentes do financiamento do Estado e terem elevados custos com pessoal e fornecedores.

Para reverter o cenário, que tende a deteriorar-se, e por forma a garantir a sua sustentabilidade e rentabilidade, torna-se necessário que ambas melhorem e aumentem a sua eficiência, através da redução de custos e modernização, com suporte das novas tecnologias.

“Elas têm-se deparado com enormes problemas de rentabilidade, ou seja, não produzem o que gastam. Mas podem e devem ser sustentáveis, desde que passem a gerar receitas para financiarem o seu funcionamento para se manterem vivas”, afirmou.

Por exemplo, a RM é financiada em mais de 88 por cento e a TVM em 70 por cento pelo Estado. Devido a esta elevada dependência o administrador do IGEPE defende que ambas devem começar a diversificar o seu portfólio de produtos e serviços, apostando nas plataformas das tecnologias de informação e comunicação.

Por outro lado, sublinhou, outra opção é uma eventual fusão entre a TVM e a RM, com vista a racionalizar os modelos de gestão e reduzir custos.

“Penso que se deve retomar esta discussão para vermos o quão racional ela é. Este processo poderia seguir o mesmo percurso que ditou a fusão entre as Telecomunicações de Moçambique (TDM) e Moçambique Celular (mCel) que formaram a TMcel. Para tal, deve-se revisitar o quadro regulatório para se potenciar a nova empresa, no sentido de ela ser rentável e sustentável no mercado, face aos desafios que ambas (em separado) têm enfrentado”, apontou.

Em reacção ao repto lançado pelo IGEPE, o administrador da RM, António Barros, disse que a fusão destas duas entidades não se justifica.

“Muitos países que tentaram fazer este tipo de fusão estão a voltar atrás, porque o processo provou ser incompatível e inviável”, sustentou.

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