AS obras de construção da Central Térmica de Temane (CTT), na província de Inhambane, registam um atraso devido ao impacto dos ciclones Freddy e Filipo, que levou ao adiamento do comissionamento agendado para o ano de 2024.
O ciclone Freddy ocorreu em 2023 e a Depressão Tropical Filipo atingiu a província de Inhambane no princípio do ano passado, inundando por completo o local (site) onde decorrem as obras.
Com uma capacidade para a produção de 450 Megawatts de electricidade, o projecto inclui uma linha de transmissão de energia com uma extensão de mais de 500 quilómetros.
Consequentemente, ficou comprometido o arranque da operação da Central, inicialmente programada para o ano passado, esperando-se que ocorra no segundo trimestre deste ano, de acordo com fontes da GLOBELEQ, entidade que projectou o empreendimento.
Em Maio de 2023, Samir Salé, director de Desenvolvimento e Negócios da GLOBELEQ, entidade que realiza investimentos no sector de geração de energia em Moçambique, assegurou que o grau de execução do projecto, orçado em 650 milhões de dólares, estava na ordem de 75 por cento.
Na altura, a fonte garantiu que as obras tinham registado progressos apesar dos impactos negativos dos ciclones Freddy e Depressão Tropical Filipo.
Na avaliação dos impactos, ficou subjacente que os constrangimentos tinham sido prontamente ultrapassados e os trabalhos decorriam a ritmo acelerado para recuperar o tempo perdido com vista a cumprir os prazos do comissionamento agendado para o terceiro semestre deste ano.
Na altura, o nível de execução das obras fazia crer que o comissionamento, testes dos equipamentos instalados e interligação à rede não sofreria alteração, factor que poderia permitir que o empreendimento iniciasse a fase de operação plena entre finais do ano passado e início deste, de acordo com o plano do projecto e as perspectivas do Governo moçambicano.
“O projecto está a correr relativamente bem. Fomos assolados por dois ciclones que causaram algum impacto no progresso das obras, mas estamos a trabalhar com o nosso empreiteiro e com a Electricidade de Moçambique para recuperar o máximo de tempo possível”, disse Samir Salé, em Maio do ano transacto.
Os trabalhos decorriam no escopo mecânico e eléctrico, para integrar todas as turbinas de geração a gás e a turbina a vapor, para depois seguir a fase de testes mecânicos e dos ciclos de vapor.
Refira-se que o Presidente da República, Filipe Nyusi, durante o seu último mandato, apontou a CTT como maior projecto de geração de energia pós-independência, podendo elevar a infra-estrutura de electricidade para outros patamares.
Após a sua conclusão, o empreendimento poderá fornecer energia a 1,5 milhões de agregados familiares no âmbito do Programa de Acesso Universal à Energia, até 2030.
Trata-se da primeira central movida a gás desta dimensão, que vai produzir energia limpa, factor importante particularmente numa fase em que Moçambique estabelece as balizas para a sua Estratégia de Transição Energética.
A CTT é detida em 85 por cento pela Mozambique Power Invest (MPI) e 15 por cento pela Sasol África, onde a MPI é propriedade da Globeleq (76 por cento) e da EDM (24 por cento). AIM


