Japoneses atentos a negócios no Rovuma

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A recém-anunciada decisão final de investimento no projecto de Gás Natural Liquefeito, na Área 1 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, está a influenciar o interesse de empresas japonesas em estabelecer negócios em Moçambique.

Com a decisão da Anadarko e seus parceiros, que incluem a companhia japonesa Mitsui, aumentou o interesse da comunidade empresarial nipónica por Moçambique, estando em curso acções preparatórias visando aproveitar o palco da Tóquio International Conference for African Development (TICAD VII), a realizar-se de 28 a 30 de Agosto próximo em Yokohama, para contactos operacionais com empresas e entidades moçambicanas que estarão representadas no evento.

Em conversa com o “Notícias”, fonte do Ministério japonês dos Negócios Estrangeiros disse ser grande o interesse por Moçambique, o que determina toda a procura que há por informações sobre as condições de investimento e outros indicadores de base para a tomada de decisões.

Entre as firmas que já manifestaram esse interesse, a nossa fonte indicou a Chiyoda Kako e Nikki, que mesmo sem ter filiais a operar no país, já manifestaram junto das autoridades do seu país a intenção de tomar a TICAD VII como uma oportunidade para participar no desenvolvimento de negócios em Moçambique, associados ou não ao projecto de produção de gás natural liquefeito.

Outro exemplo de interesse é da gigante Chiyoda Corporation, cujo director-geral adjunto da divisão de projectos de energia e desenvolvimento de negócios, Kimiho Sakurai, explica que a sua companhia vai intervir na fase de produção do gás liquefeito, fornecendo soluções de engenharia, construção e aquisições, numa parceria com a Saipem S.p.A. e a McDermott International.

Efectivamente, segundo apurou o Notícias, há empresas japonesas que já têm contratos firmados para a compra de gás liquefeito de Cabo Delgado, a exemplo da Tohoku Electric Power, que em Outubro de 2018 rubricou um acordo para a compra de 0.28 milhões de toneladas de gás liquefeito por um período de 15 anos, com o início do fornecimento previsto para 2020.

Por seu turno, a Jera Co., Inc e a CPC Corporation Taiwan (CPC) assumiram, em Maio deste ano, um acordo de compra de 1,6 milhão de toneladas de gás natural liquefeito por ano, por um período de base de 17 anos, enquanto a Tokyo Gas Co., Ltd., líder no sector de energia e maior provedor de gás no Japão, rubricou em Junho de 2018 um contrato de compra anual de 2.6 milhões de toneladas de gás liquefeito, por um período que se deverá estender até 2040.

No entanto, além do peso que a decisão final de investimento no projecto de gás natural liquefeito tem na atitude das empresas japonesas em relação a Moçambique, há a considerar o facto de, nesta sétima edição do TICAD, o Governo do Primeiro-ministro Shinzo Abe levar na manga a expectativa de ver avançar na prática a filosofia da iniciativa Free Open Indo-Pacific (FOIP), projectada pensando no rápido crescimento do continente asiático e no enorme potencial de desenvolvimento de África, bem como na perspectiva de olhar para os oceanos Índico e Pacífico como “um bem público global”.

Em Moçambique a iniciativa FOIP tem no Corredor de Nacala um dos seus focos de atenção, com toda a área de interesse que tem nas províncias de Nampula, Zambézia, Niassa, Cabo Delgado e Tete.

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