Obras do complexo de gás retomadas em Cabo Delgado

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AS obras do complexo de exploração de gás em Cabo Delgado estão a regressar à normalidade, disse ontem à Lusa fonte da petrolífera Total, depois de o recinto ter sido o principal foco de infecções pelo novo coronavírus no país.

“As actividades de construção já foram retomadas. Apesar dos desafios do ambiente actual, continuamos dentro do prazo para fazer a entrega do primeiro carregamento de gás natural liquefeito (GNL) em 2024”, disse fonte oficial da Total em Maputo.

O empreendimento industrial em construção na península de Afungi, província de Cabo Delgado, é o maior investimento privado em curso em África, ascendendo a cerca de 23 mil milhões de dólares.

Cerca de um quarto do total acumulado de 453 casos de infecção registados em Moçambique foram registados no recinto de Afungi ou estão a eles ligados, o que fez com que as operações fossem reduzidas ao mínimo no mês de Abril.

“Ficámos satisfeitos ao ver o Ministério da Saúde, na semana passada, declarar que a situação está controlada. Isso permite o nosso retorno ao trabalho, tendo em conta a implementação de protocolos rigorosos de gestão sanitária”, referiu a mesma fonte oficial da Total.

As medidas incluem quarentena e testes a trabalhadores em rotação (nacionais e expatriados), testes aleatórios no acampamento, bem como higienização completa e frequente de todas as áreas e equipamento

O complexo industrial em construção inclui duas linhas de liquefacção de gás com capacidade total de produção de 12,88 milhões de toneladas por ano (medição para a qual se usa a sigla MTPA) e ao lado das obras da fábrica já está operacional uma pista de aviação e um cais.

O gás vai ser extraído de jazidas sob o Oceano Índico e prevê-se que a partir de 2024 navios cargueiros atraquem em Afungi para receber GNL que vai ser vendido sobretudo para mercados asiáticos (China, Japão, Índia, Tailândia e Indonésia), mas também europeus, através da Electricidade de França, Shell ou a britânica Céntrica.

A Total lidera o consórcio da Área 1 com 26,5%, ao lado da japonesa Mitsui (20%) e da petrolífera estatal moçambicana ENH (15%), cabendo participações menores à indiana ONGC Videsh (10%) e à sua participada Beas (10%), à Bharat Petro Resources (10%), e à tailandesa PTTEP (8,5%).

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