Editorial

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A ZONA Centro do país viveu, de 2019 a esta parte, num autêntico calvário, derivado de divergências políticas no seio do partido Renamo. O facto culminou com o reacender das hostilidades militares, deitando abaixo todos os esforços de busca da paz para o país, cujos entendimentos acabavam de ser rubricados pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Ossufo Momade, a 6 de Agosto do mesmo ano.

A sucessão do líder histórico da Renamo, Afonso Dhlakama, não foi pacífica, com uma ala, liderada pelo general Mariano Nhongo, a optar pela força das armas para fazer valer as suas posições. A ala que não reconhecia a eleição de Momade como sucessor de Afonso Dhlakama contestava os termos e a legitimidade do Acordo de Paz Definitiva, exigindo a sua nulidade. E, como pretexto, optou pelo retorno às hostilidades militares, emboscando viaturas que transitassem pela EN1, pilhando bens da população e destruindo importantes infra-estruturas públicas e privadas, atrasando deliberadamente o desenvolvimento socioeconómico do país.

Apelos de diferentes quadrantes foram feitos na perspectiva de chamar Mariano Nhongo à razão, ou seja, a abandonar o confronto militar com as Forças de Defesa e Segurança (FDS) e a abraçar o processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração. Estamos lembrados que na semana passada o Presidente da República renovou o convite nesse sentido anunciando que Nhongo acabava de escapar de uma ofensiva das FDS, abandonando no seu esconderijo o casaco e outros pertences. Este era, quanto a nós, o sinal de que o guerrilheiro já estava efectivamente encurralado e que mais dias, menos dias seria capturado ou abatido, caso não capitulasse.

Na verdade, Mariano Nhongo, que preferiu viver à margem de todos os preceitos do civismo, na base de um egocentrismo, fundamentado apenas na sua vontade de ser protagonista viria a ser abatido, na manhã da passada segunda-feira, na sequência de um confronto com as FDS.

Morreu Mariano Nhongo e que cenários se desenham de ora em diante? Entendemos nós que a morte deste guerrilheiro não encerra em si a vitória das FDS na luta contra a desestabilização protagonizada por este grupo insurgente. É necessário que a luta prossiga intensamente porque Mariano Nhongo tinha, certamente, seguidores que poderão querer vingar-se da morte do seu chefe.

Porém, entendemos como nossa obrigação alertar a todos os correligionários de Mariano Nhongo no sentido de fazerem da morte do seu chefe uma oportunidade para a pacificação em definitivo do país. O DDR é, para o efeito, para ser cumprido escrupulosamente, pois pressupõe o pagamento de pensões aos ex-combatentes da Renamo e ainda outras acções, tais como a criação de condições para a reinserção destes.

O Governo tem feito tudo ao seu alcance para o sucesso desta operação. Apraz-nos aqui e agora salientar a posição da Renamo que logo após a morte de Nhongo veio a público anunciar a sua maior abertura para o acolhimento de todos os membros outrora filiados à Junta Militar da Renamo, alegadamente porque são filhos da casa e, como tal, com direito à protecção. Aliás, alguns políticos deste partido já diziam aquando da cisão que Nhongo era um problema familiar e que poderia ser resolvido no seio da família.

O que exigiremos, como nosso dever, é que o DDR prossiga dentro dos carris e que a paz definitiva seja rapidamente alcançada, a bem do desenvolvimento político, económico e social do país. Ainda bem que os parceiros internacionais estão de holofotes virados para o nosso país, na perspectiva de o apoiar neste processo de busca da paz definitiva.

A União Europeia, por exemplo, foi fazendo o que pôde nesta matéria, mas achamos que provavelmente precisa de fazer um pouco mais. Os outros parceiros de cooperação têm de entrar no jogo para ajudar Moçambique a assegurar esta oportunidade de pacificar a região centro e para que a paz não volte a ser vivida em ciclos. Queremos que ela seja, de facto, uma paz definitiva.

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