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Quinta-feira, 18 - Agosto, 2022

EDITORIAL

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UMA nova página, diga-se, foi aberta nas relações entre Moçambique e o Malawi, com a visita de Estado que o Presidente da República, Filipe Nyusi, efectuou esta semana a este país vizinho, que é igualmente membro da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Na realidade, tratou-se de uma visita histórica, com as lideranças dos dois países a enfatizarem que o factor confiança é fundamental para a prosperidade dos seus povos, não havendo, por conseguinte, razões para as desconfianças que foram sempre prejudiciais para os cidadãos dos dois países, com laços ancestrais.

É nossa convicção que, não só por razões históricas, mas também económicas, sociais e  geo-estratégicas existem várias áreas de interesse comum que as duas nações podem explorar na cooperação que se almeja, em benefício mútuo. Algumas delas, apesar de já terem sido identificadas há bastante tempo, não avançaram, justamente devido à existência de um ambiente pouco favorável entre os dois Estados, exceptuando nos dez anos da governação de Bakili Muluzi.

Desta vez, os dois dirigentes decidiram, por exemplo, agilizar a implementação do projecto da linha de transporte de energia eléctrica de Matambo, na província de Tete, para a subestação de Phombeya, no vizinho Malawi, idealizado há mais de 20 anos, mas nunca implementado pelos governos que se seguiram no Malawi. Com a sua operacionalização, Moçambique consolida a sua estratégia de se tornar no centro regional de fornecimento de energia e o Malawi irá, pela primeira vez, participar com outros estados-membros da SADC no comércio regional de electricidade, incluindo a importação e exportação deste recurso.

Agora, os dois países pretendem, o mais rapidamente possível, acelerar a sua comunicação ferroviária, através da Linha de Sena pelo ramal Mutarara-Vila Nova de Fronteira e Vila Nova da Fronteira-Bangula.

Trata-se de uma infra-estrutura que se espera não só gere receita para o Estado moçambicano, como também produza um impacto na redução do custo de vida da população malawiana.

Neste contexto, acreditamos não ser justificável que o combustível para o Malawi continue a ser transportado em camiões, com riscos de segurança acrescidos para as comunidades devido a esquemas de desvios ilícitos deste tipo de produtos. Basta lembrar o episódio de Capirizanje, da explosão de tanque de combustível de um camião que fez 112 mortos e deixou cerca de meia de centena de pessoas deformadas e crianças órfãs de pais.

Outrossim, usando a via ferroviária, transporta-se, de forma segura, maiores quantidades de combustíveis, com impacto na redução do custo de vida para o cidadão malawiano.

É também encorajadora a pretensão dos dois países de facilitar o comércio entre si, através do estabelecimento de um posto de paragem única, bem como simplificar e harmonizar o controlo fronteiriço entre os dois Estados e a intensificar a busca de soluções de interesse mútuo, incluindo os conflitos armados, terrorismo, paz, segurança, desenvolvimento, mudanças climáticas, a Covid-19, entre outros. É que, como vizinhos, não temos outra escolha senão cooperarmos nestas e noutras matérias. 

A nossa expectativa é que a Comissão Permanente Conjunta para a Cooperação (JPCC) e a Comissão Permanente Conjunta para as Áreas de Defesa e Segurança (JPCDS) não só se reúnam regularmente, mas que tragam propostas concretas para o caminho por que ambos países devem trilhar em prol do bem-estar das populações dos dois países.

Pelos resultados alcançados nesta visita, a julgar pelas palavras das lideranças moçambicana e malawiana, as duas nações estão determinadas a virar a página nas suas relações, mas este desígnio só será bem-sucedido se houver persistência na busca de soluções para os desafios já identificados e na identificação de novas oportunidades que levem à prosperidade dos povos de Moçambique e do Malawi.

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