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Sexta-feira, 20 - Maio, 2022

EDITORIAL

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A INAUGURAÇÃO do Aeroporto Internacional Filipe Jacinto Nyusi marca a entrada de Gaza na prestação do serviço de transporte aéreo, para além de esta província deixar de ser a única sem este tipo de infra-estrutura.

O aeroporto, erguido no distrito de Chongoene, a pouco mais de 30 quilómetros da capital provincial, Xai-Xai, representa a visão integrada de construção de infra-estruturas estratégicas que concorram para a promoção do desenvolvimento de forma contínua, sustentável e com perspectiva crescente a curto, médio e longo prazos, combinando variáveis diversas e importantes para catalisar a economia.

É nossa convicção que a infra-estrutura aeroportuária deve ser assumida como mais um verdadeiro pólo de desenvolvimento que impulsiona os serviços já existentes e espevite outros que, certamente, concorrerão para acelerar o progresso da província de Gaza, com potencial, mas uma das mais pobres do país.

Olhamos para a instalação deste empreendimento com optimismo. Sendo Gaza uma província com fortes perspectivas de crescimento económico, com os previstos projectos de exploração das areias pesadas de Chibuto, dos diamantes de Massangena e do porto de águas profundas em Chongoene, entendemos que foi assertiva a construção deste aeroporto, realçado o facto de esta região ter uma componente turística de grande impacto em todo o seu eixo, sendo o turismo de praia e sol, ao longo da costa, e o ecoturismo, no interior.

Esta crença é baseada no facto de que hoje os aeroportos não devem ser considerados apenas pontos de partida e de chegada de aeronaves ou ainda simples entradas aéreas para uma cidade ou província. São elementos essenciais no desenvolvimento económico das regiões onde estão erguidos e em funcionamento.

Por isso, mais do que ver este aeroporto como uma infra-estrutura que vai receber aviões, é preciso olhar para os factores em que assentam as suas novas formas de gestão, bem como verificar os benefícios sócio-económicos a ele associados, que surgirão na província de Gaza.

Outro ponto não menos importante e sobre o qual é oportuno reflectir e, quiçá, implementar, relaciona-se com o facto de, para além de lojas, cafés e restaurantes na zona de embarque e desembarque, avançar-se para a construção de unidades hoteleiras, serviços de restauração, centros comerciais e até condomínios residenciais na sua área envolvente.

Assim, com o desenvolvimento de novos negócios e a captação de empresas para o redor deste, acreditamos que daqui irá nascer o que hoje se designa de “cidade-aeroporto”. E este novo aeroporto pode ser o ponto de partida rumo a este novo conceito. Acreditamos que isto e muito mais coisas acontecerão. Temos de olhar para o futuro e os sinais de crescimento que a capital provincial de Gaza e não só têm vindo a emitir nos últimos anos.

Mais ainda é que, pelo facto de conter um serviço de conexões aéreas, por exemplo, o aeroporto poderá servir como um íman para diversas empresas, atraindo-as para o seu redor, levando, assim, a uma maior retenção da mão-de-obra, que vai da qualificada à sazonal.

Uma coisa é certa: a instalação desta infra-estrutura e as necessidades que dele decorrerão representam e continuarão a representar um desafio para a sua gestão, bem como para os operadores da área que constitui a bandeira da província, que é o turismo, e outros serviços conexos. Será igualmente um desafio para o sector de transporte de passageiros, de mercadorias e de estradas, este último que deverá apostar no melhoramento das vias de acesso para completar este pacote selado pelo Aeroporto Internacional Filipe Jacinto Nyusi.

Não há equívoco da nossa parte de que os resultados visíveis deste projecto não serão visíveis tão já. Levará tempo para que a população de Gaza e não só colha os frutos desta conquista. Mas o certo é que, com este aeroporto, inaugurado esta semana, estão lançados novos alicerces para a província de Gaza dar novo passo rumo ao seu desenvolvimento.

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