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Sexta-feira, 1 - Julho, 2022

EDITORIAL

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COMO havíamos previsto na semana passada, os Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) aprovaram por unanimidade, quarta-feira última, em Lilongwe, Malawi, a permanência no país, por mais três meses, contados a partir de amanhã, da sua força militar denominada SAMIM – unidade que tem apoiado Moçambique na luta contra o terrorismo que afecta alguns distritos da província de Cabo Delgado.

No nosso entender, trata-se de uma demonstração clara da determinação de liderança dos países que compõem este bloco regional, da sua não tolerância a quaisquer actos de terrorismo e de extremismo violento que levem à perda de vidas, destruição de infra-estruturas e deslocação de milhares de pessoas, incluindo mulheres, idosos e crianças em qualquer dos estados-membros.

Na verdade, a aprovação do prolongamento da missão da SAMIM, até ao próximo mês de Abril, é, também, em grande medida, um reconhecimento do excelente trabalho árduo que esta missão está a realizar naquele ponto do país.

Estamos também certos de que esta aprovação, não somente da prorrogação da missão, como também de um orçamento de 29,5 milhões de dólares para suportar as despesas da SAMIM, constitui apenas um indicativo, visto que os líderes da região se comprometeram a fazer os devidos reajustes, caso se justifique, para que o combate seja conduzido até ao último reduto dos terroristas e no tempo que esta acção tiver de durar.

Os relatos sobre o teatro das operações são encorajadores: todas as principais bases dos terroristas estão agora sob o controlo das Forças de Defesa e Segurança (FDS). Os terroristas estão em fuga e, em situação de desespero, vão fazendo ataques esporádicos, tal como aconteceu em Mecula, no Niassa. Neste contexto, foi encorajador saber que a determinação da SAMIM é que a perseguição continue até a neutralização do último terrorista. Contudo, achamos crucial que as Forças de Defesa e Segurança sejam devidamente capacitadas para que garantam a soberania do país quando as forças estrangeiras se retirarem.

É também nossa convicção que os moçambicanos têm clareza da nobreza desta missão e, por isso, consideram justo que se renda a devida homenagem aos jovens militares da região envolvidos no combate ao terrorismo e ao extremismo violento no nosso país. De facto, com a sua bravura, têm conseguido restaurar a paz e a segurança nas zonas afectadas pelo terrorismo. Também, a nosso ver, trata-se de uma tarefa árdua que já custou a vida de alguns dos melhores filhos desta região que, com determinação, têm conseguido manter a paz e segurança, criando condições para a restauração da lei e ordem nas zonas afectadas.

Ademais, esta solidariedade acontece num contexto em que a pandemia da Covid-19 tem devastado as economias dos países que contribuem, não só com militares, mas também com equipamento e financiamento para que o combate ao terrorismo seja conduzido com sucesso em Moçambique. Achamos, por isso, razoável que, internamente, continuemos determinados em colocar rapidamente em prática os programas intensivos já esboçados para a promoção de desenvolvimento, formação e criação de oportunidades de emprego nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula, as mais afectadas pelo terrorismo, complementando este esforço regional.

Quanto a nós, a intervenção da SAMIM é também um indicativo de que a SADC é pioneira em questões de segurança colectiva em África, não tendo, por isso, dúvidas de que servirá de exemplo para os outros blocos regionais do nosso continente. Nesse contexto, foi encorajador saber que a SADC está determinada em apoiar, não só, a promoção de uma conferência internacional de investidores para a reconstrução de Cabo Delgado, bem como em  reforçar o gabinete da SAMIM em Moçambique, para que o combate ao terrorismo seja em todas as frentes e não apenas no campo militar.

Entendemos, por fim, que, como moçambicanos, não devemos apenas fazer uma avaliação positiva da missão da SAMIM. Trata-se, por conseguinte, de um desafio a que ninguém se deve alhear e que chama a uma responsabilidade crescente, sobretudo das entidades que estão à frente de iniciativas estratégicas como os projectos da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte  (ADIN) e o Plano de Reconstrução da província de Cabo Delgado para o período 2021-2024.

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