PELO menos 50 crianças foram assistidas nos primeiros nove meses do ano nas unidades sanitárias da capital do país com um quadro grave de diarreias, vómitos e convulsões, associado à ingestão inadequada de medicamentos tradicionais.
Em entrevista ao “Notícias”, a médica de clínica-geral do Hospital Geral de Mavalane, Auneta Mangume, explicou que a intoxicação por remédios tradicionais é uma das principais causas de morte de menores entre os zero e seis anos.
“Observaram-se casos em que mães administraram aos bebés misturas de folhas e raízes preparadas em condições inadequadas de higiene, no período de amamentação exclusiva, altura em que o sistema imunológico do infante ainda é frágil, elevando o risco de intoxicações”, explicou.
Anotou que a falta de estudos científicos e a indicação de dosagem impede o Ministério da Saúde de recomendar o seu uso e apela a ida às unidades sanitárias aos bebés que apresentem mal-estar.
A toma do remédio tradicional é um dos rituais a que os bebés estão sujeitos, principalmente nas províncias da zona sul do país, por forma a promover o seu crescimento saudável.
Os praticantes acreditam que o tratamento alivia sintomas de cólicas, previne desnutrição, macrocefalia, inchaço dos pés, distúrbios mentais e, em casos extremos, ataques epilépticos, e é conhecido por remédio de lua.


