Imprimir
Categoria: Primeiro Plano
Visualizações: 1307

SÉRGIO FERNANDO

O DRAMA provocado pelos grupos terroristas em Cabo Delgado não se circunscreve aos limites geográficos desta província. A fugir do terror causado pelos bandos que actuam em alguns distritos de Cabo Delgado, as famílias deixaram as suas casas, aldeias, distritos e até a província. É nesta marcha pela vida que cerca de 20 mil pessoas chegaram a Nampula e foram instaladas no distrito de Meconta.

Mais de 18 mil pessoas estão no centro de acolhimento de Corane, em Meconta. Longe do cenário das tragédias, as famílias procuram recuperar das perdas e dos traumas, sem perder a esperança de um dia poderem retornar às suas aldeias ou vilas e às suas casas.

Grande parte das famílias deslocadas escapou, por um triz, à acção dos terroristas. Muitos contam cenas atrozes vividas. Ver parentes, vizinhos e outra gente próxima serem decapitados ou imolados trancados em residências incendiadas pelos extremistas.

Zainabo Sefo Daúdo, de 23 anos, dá graças a Deus por estar a salvo. A família da jovem encontrou abrigo em Corane, cerca de 400 quilómetros de onde vivia, a vila de Macomia. Segundo as suas palavras, o sofrimento por que passa no seu dia-a-dia, alimentação insuficiente, a falta de roupa e outras necessidades, é de menos, se comparado com o medo e terror provocados pelas acções dos terroristas.

Recorda que quando a vila de Macomia foi atacada, toda a sua família fugiu para as matas. Aqui permaneceu sem nada para comer nem beber, conta. Ao terceiro dia decidiu regressar à aldeia, mas o reencontro com os pais e o resto dos irmãos só aconteceu no sexto dia.

 

LEIA MAIS...